Mostra 'Mestras do Macabro' retorna ao CCBB SP com panorama global do horror dirigido por mulheres

Divulgação | MDH Entretenimento

• Por Alisson Santos 

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe, entre os dias 18 de abril e 24 de maio, a segunda edição da Mostra Mestras do Macabro – As cineastas do horror ao redor do mundo. Com entrada gratuita, o evento reafirma seu compromisso em destacar a presença feminina em um dos gêneros mais historicamente dominados por homens; o terror.

Após reunir mais de 1.500 espectadores em sua primeira edição, a mostra retorna ainda mais robusta, com uma programação que inclui 38 filmes — sendo 28 longas e 10 curtas — que percorrem diferentes vertentes do horror, do cinema independente ao experimental, passando por produções mainstream de diversas partes do mundo. A curadoria é assinada pela pesquisadora e especialista Beatriz Saldanha, que propõe um olhar crítico e abrangente sobre o papel das mulheres na construção e reinvenção do gênero.

“É gratificante conceber uma retrospectiva dedicada a mulheres que, ainda que tenham contribuído de maneira essencial para o horror desde o início, muitas vezes seguem anônimas ou pouco conhecidas. O horror é um gênero profundamente feminino”, afirma a curadora.

A seleção destaca nomes contemporâneos e também resgata obras fundamentais dirigidas por mulheres, além de homenagear figuras importantes como a videomaker norte-americana Cecelia Condit, a cineasta francesa Marina de Van e a atriz brasileira Gilda Nomacce, que também participa de uma masterclass exclusiva durante o evento.

Mais do que exibir filmes, a mostra amplia o debate sobre o papel das mulheres no audiovisual ao evidenciar sua atuação em áreas como roteiro, montagem, fotografia e produção. Essa abordagem contribui para uma compreensão mais ampla da presença feminina no cinema, indo além da direção.

Entre os destaques da programação estão obras como Garota Sombria Caminha Pela Noite, de Ana Lily Amirpour, o recente Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário, de Ariane Louis-Seize, além de clássicos cult e produções que exploram o horror sob perspectivas psicológicas, sociais e políticas. A curadoria também organiza sessões temáticas que abordam tópicos como loucura feminina, misticismo, corpo e identidade.

A mostra promove ainda uma série de atividades paralelas que aprofundam o diálogo com o público. Entre elas, o curso “A abjeção feminina como estratégia de libertação no cinema de horror”, ministrado por Beatriz Saldanha; a masterclass “Rainha do grito por excelência”, com Gilda Nomacce; e a mesa de debate “O corpo desfeito, o corpo refeito: horror e autodescoberta feminina”, com a roteirista Carissa Vieira e a crítica Isabel Wittmann.

O evento também abre espaço para o cinema nacional contemporâneo, com pré-estreias de filmes como Love Kills, de Luiza Shelling Tubaldini, e Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, ambas acompanhadas de bate-papos com as realizadoras. Outro destaque é a participação da cineasta Monica Demes, que apresenta seu filme O Despertar de Lilith em sessão comentada.

Com recursos de acessibilidade em sessões selecionadas — incluindo audiodescrição, Libras e legenda descritiva — a mostra busca ampliar o acesso ao público, reforçando seu caráter inclusivo.

Após a temporada em São Paulo, a Mostra Mestras do Macabro segue itinerante para outras unidades do CCBB; no Rio de Janeiro, entre 15 de abril e 18 de maio, e em Brasília, de 30 de junho a 2 de agosto.

Comentários

  1. Márcia Simões7/4/26

    Muito legal ver esse tipo de iniciativa ganhando força. O terror sempre teve muitas camadas, e é interessante quando a curadoria amplia esse olhar, trazendo outras perspectivas e vozes que muitas vezes ficaram à margem. A programação parece bem diversa, e essas atividades paralelas ajudam a enriquecer ainda mais a experiência. Ótima oportunidade pra quem curte o gênero (ou quer conhecer mais).

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