S. S. Rajamouli fala sobre o sucesso de RRR, a força do cinema indiano e os desafios de filmar grandes produções
| Divulgação | MDH Entretenimento |
• Por Alisson Santos
O cineasta indiano S. S. Rajamouli, diretor de RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, conversou com a MDH Entretenimento e Igor do Ó durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo sobre a repercussão internacional de seu trabalho, a diversidade da indústria cinematográfica da Índia e os desafios de realizar produções de grande escala. Na entrevista, o realizador também refletiu sobre a importância de levar filmes a novos públicos e compartilhou conselhos para jovens cineastas que desejam concretizar seus projetos mesmo diante de limitações financeiras.
Um dos assuntos abordados foi o reconhecimento internacional conquistado por RRR, longa que ajudou a ampliar a visibilidade do cinema telugo, produzido no estado indiano de Andhra Pradesh e em regiões vizinhas. Para Rajamouli, a recepção do filme em diferentes países contribuiu para despertar a curiosidade do público sobre outras tradições cinematográficas indianas.
“Durante décadas, o cinema indiano era limitado apenas ao meu país. Na própria Índia, ele tinha poucas oportunidades de chegar a outros lugares”, afirmou o diretor ao comentar a circulação internacional de produções indianas. Ele também observou que muitos espectadores estrangeiros conheciam principalmente Bollywood, embora o país possua diversas indústrias cinematográficas, com idiomas, estilos e tradições próprios.
Ao falar sobre a repercussão de “Naatu Naatu”, Rajamouli destacou que o alcance mundial da canção superou suas expectativas iniciais. O cineasta explicou que imaginava uma recepção expressiva na Índia, mas não previa que se transformaria em um fenômeno cultural em tantos territórios.
“Eu esperava que acontecesse na Índia, mas não esperava que se tornasse um fenômeno cultural tão grande. Nunca imaginei que ganharia um Oscar”, declarou, em referência ao reconhecimento de “Naatu Naatu”, canção que venceu a categoria de Melhor Canção Original no Oscar de 2023.
A música se tornou um dos símbolos da projeção internacional do filme, que conquistou espectadores com sua combinação de ação, musicalidade, espetáculo visual e referências culturais indianas. O sucesso também demonstrou como uma obra profundamente ligada a uma tradição regional pode encontrar ressonância em diferentes partes do mundo sem abandonar suas particularidades.
A AMIZADE COMO PONTO DE PARTIDA
Durante a conversa, Rajamouli também explicou que a amizade foi um dos elementos fundamentais na concepção de RRR. Ao comentar a construção da narrativa e a relação entre os protagonistas, o diretor contou que a ideia inicial estava ligada ao desejo de explorar esse vínculo entre os personagens.
“Eu só queria escrever uma história sobre amizade”, revelou.
A partir desse ponto de partida, o cineasta desenvolveu uma produção que combina personagens inspirados em figuras históricas, acontecimentos ficcionais e sequências de ação grandiosas. A relação entre os protagonistas funciona como o eixo emocional de uma narrativa que aposta tanto na dimensão épica quanto na força dos sentimentos.
A abordagem ajuda a compreender uma característica recorrente do cinema de Rajamouli; mesmo quando trabalha com cenários monumentais e situações extraordinárias, o realizador procura estabelecer uma conexão emocional que sustente o espetáculo. Em RRR, a amizade não é apenas um componente secundário da trama, mas o elemento que orienta os conflitos e dá sentido às escolhas dos personagens.
OS DESAFIOS DE CONSTRUIR UM ESPETÁCULO CINEMATOGRÁFICO
Questionado sobre os desafios de filmar uma produção tão ambiciosa como "Varanasi" (2027), seu próximo projeto, Rajamouli explicou que cada sequência exigia soluções específicas. O diretor citou a diversidade de situações e cenários envolvidos no projeto, que demandaram abordagens distintas durante a realização.
“Cada sequência é como um filme completamente diferente”, afirmou.
A declaração ajuda a dimensionar a complexidade de uma produção que transita entre diferentes ambientes, situações de ação e momentos dramáticos. Em vez de tratar todas as sequências da mesma maneira, a equipe precisou encontrar formas próprias de transformar cada ideia em imagens, preservando a unidade emocional do longa.
A ambição visual de RRR também está relacionada à maneira como Rajamouli concebe a experiência cinematográfica. Para ele, a possibilidade de alcançar espectadores em diferentes plataformas é importante, mas o diretor ressaltou sua preferência por ver o público assistindo às suas obras na tela grande.
Ao comentar a circulação internacional do filme, Rajamouli mencionou a importância das plataformas para ampliar o alcance da produção e alcançar pessoas que talvez não tivessem contato com o cinema telugo. Ainda assim, manifestou o desejo de que o maior número possível de espectadores tenha a oportunidade de vivenciar o longa nas salas de cinema.
RAJAMOULI ACONSELHA JOVENS CINEASTAS
Outro momento importante da entrevista foi a conversa sobre os obstáculos enfrentados por realizadores que trabalham com recursos financeiros limitados. Ao responder a uma pergunta sobre os conselhos que daria a jovens cineastas brasileiros, Rajamouli destacou a importância de buscar soluções criativas e encontrar parceiros capazes de acreditar no projeto.
O diretor reconheceu que produções de grande porte exigem investimentos significativos, mas argumentou que a falta de um orçamento elevado não precisa representar o fim de uma ideia.
“Você tem que pensar de maneiras criativas. Sempre há maneiras de fazer isso”, afirmou ao abordar a possibilidade de realizar filmes com recursos restritos.
Rajamouli também ressaltou a importância de encontrar produtores, estúdios ou colaboradores dispostos a apoiar a visão do realizador. Na avaliação do cineasta, convencer outras pessoas sobre o potencial de uma história é parte fundamental do processo de transformar uma ideia em filme.
A fala ganha relevância especialmente para realizadores independentes e profissionais que trabalham fora dos grandes centros de financiamento audiovisual. Em vez de apresentar o orçamento como uma barreira intransponível, o diretor propõe uma combinação de planejamento, criatividade e capacidade de articulação para viabilizar projetos.
O público brasileiro terá a oportunidade de assistir a RRR: Revolta, Rebelião, Revolução na tela grande durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A sessão especial acontece na segunda-feira, 19 de outubro, às 17h30, na Sala Petrobras na Mostra, localizada no Solar Fábio Prado, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, no Jardim Paulistano. Após a exibição, o diretor S. S. Rajamouli participará de uma conversa com o público e receberá o Prêmio Leon Cakoff. A sessão marca a primeira exibição do longa nos cinemas brasileiros, após seu lançamento no país diretamente em plataformas de streaming.
Imagina assistir RRR na tela grande, deve ser uma experiência completamente diferente!
ResponderExcluirO cinema indiano merece cada vez mais esse reconhecimento internacional, tem muita coisa incrível além de Bollywood.
ResponderExcluirRajamouli é um diretor absurdo, a forma como ele trabalha a ação e a emoção é surreal.
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