Crítica | Operação Vingança - É uma obra que mira o impacto emocional e político, mas acerta apenas em momentos isolados de tensão.

Divulgação | 20th Century Studios

• Por Alisson Santos

Operação Vingança, dirigido por James Hawes, é um thriller de espionagem que tenta ressuscitar a tensão política e paranoica do livro de Robert Littell, publicado em 1981, mas tropeça justamente naquilo que deveria ser sua força; a atualização para o presente. O que no contexto da Guerra Fria tinha peso simbólico e urgência dramática, aqui se perde em uma versão higienizada, dependente de drones, rastreadores e celulares, mas sem coragem de explorar as contradições de uma era onde a vigilância é onipresente.

O protagonista, Charles Heller (Rami Malek), é um analista de criptografia da CIA que decide buscar vingança após a morte da esposa. A ideia de um “agente por acidente”, alguém inteligente, mas sem preparo físico ou habilidade com armas, poderia ser um diferencial interessante frente aos super-espiões da franquia Bourne. Mas, em vez de explorar esse contraste de forma inventiva, o filme opta por soluções fáceis, como vídeos de YouTube que ensinam a abrir portas ou drones milagrosos que resolvem a narrativa. A suspensão de descrença, tão necessária nesse tipo de obra, aqui exige um pacto incômodo com o espectador: “não questione, apenas acompanhe”.

O maior problema está na escolha de Rami Malek. Seu estilo contido e olhar distante, eficaz em Mr. Robot e Bohemian Rhapsody, não encontra espaço em cenas de ação que pedem intensidade física. O resultado é um herói sempre deslocado, incapaz de sustentar tanto a dor íntima do luto quanto o caos das perseguições internacionais. O filme tenta vender um contraste entre vulnerabilidade e frieza, mas Malek transmite apenas apatia — o que esvazia até mesmo os momentos mais dramáticos.

O elenco de apoio, que conta com nomes fortes como Laurence Fishburne e Rachel Brosnahan, é subutilizado. A narrativa parece incapaz de manter coadjuvantes relevantes ao mesmo tempo, escanteando personagens interessantes sempre que um outro ganha destaque. O efeito colateral é uma trama fragmentada, sem conexões orgânicas entre seus núcleos, o que compromete a própria sensação de rede conspiratória — essencial em filmes de espionagem.

Divulgação | 20th Century Studios

Visualmente, há boas ideias em algumas sequências de ação, sobretudo quando o protagonista precisa improvisar soluções criativas, lembrando até a lógica de um game da franquia Hitman. Porém, esses lampejos não bastam para sustentar a obra, que no fim cai em clichês de perseguições genéricas pela Europa e reviravoltas previsíveis. O clímax, em especial, é constrangedor, tentando dar profundidade moral a um embate simplista entre “vingador e vilão”.

O mais frustrante em Operação Vingança é que não se trata de um filme mal produzido. A direção é competente, a fotografia entrega a atmosfera fria que se espera e o ritmo raramente desaba. Mas falta densidade, falta coragem de lidar com a complexidade tecnológica e política do presente. O longa prefere esconder suas falhas atrás de telas de computador e uma crítica superficial à CIA, sem nunca mergulhar de fato nas ambiguidades que o material original carregava.

No fim, Operação Vingança é uma obra que mira o impacto emocional e político, mas acerta apenas em momentos isolados de tensão. O resultado é um filme mediano, incapaz de se sustentar como reinvenção ou homenagem — mais uma adaptação que parece feita por obrigação do que por convicção.

O filme está disponível no Disney+.

Avaliação - 5/10

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