Crítica | Kokuho: O Preço da Perfeição - Mostra que, mesmo dentro de algo lindo, ainda pode existir um abismo de escuridão para quem busca a perfeição.

Divulgação | Sato Company
• Por William Silva 

Em meio a vários filmes que só mostram a beleza da arte, Kokuho: O Preço da Perfeição mostrar que, mesmo dentro de algo lindo, ainda pode existir um abismo de escuridão para quem busca a perfeição.

O diretor Lee Sang-il consegue construir uma história tanto sentimental quanto tecnicamente bela, fazendo a gente perceber cada nuance de seus personagens e extraindo o máximo de cada ator, principalmente nas apresentações de Kabuki que utilizam maquiagens exageradas e performances dramáticas, demonstrando seus sentimentos por meio do corpo e se tornando algo quase central do início ao fim para o desenvolvimento dessa bela trama, mostrando que, onde há devoção, também há destruição de uma alma, fazendo a gente se perguntar: “Será que toda essa jornada do protagonista valeu a pena?”.

Mas é claro que isso não seria possível sem o elenco de peso. Cada ator e atriz, mesmo que possua poucas falas, consegue trazer atuações viscerais, dissecando a alma de seus personagens até chegar à ruína de um beco sem saída extremamente emocional, que nos faz sentir cada fala como se estivesse sendo dirigida a nós.

Aliás, um exemplo dessa bela atuação é o da atriz Minami Hamabe que, em sua pequena participação como filha do personagem Kikuo (Ryo Yoshizawa) na fase adulta, serve como um dispositivo moral. Ela traz o protagonista de volta à realidade utilizando-se da pergunta: "Valeu a pena ter feito esse pacto com o diabo?". É o choque necessário para trazer esse "Tesouro Nacional" de volta à realidade cruel que ele mesmo criou, acabando com todos à sua volta.

Divulgação | Sato Company 

Ela traz todo o poder de sua atuação, fazendo com que essa cena, junto com a última dança de seu pai, transmita tanta melancolia e, ao mesmo tempo, admiração que, sem perceber, nos emocionamos. E os minutos finais são ainda mais intensos, pois, em sua última dança, percebemos como o protagonista torna-se apenas um fantoche de sua própria arte.

Mas, apesar de todos esses aspectos e mesmo com uma direção técnica impecável — trazendo cenários magníficos, fotografia precisa e uma montagem minuciosa que respeita essa arte milenar chamada Kabuki, tanto nas vestimentas quanto na maquiagem digna de Oscar e na construção da peça teatral —, algo ainda me incomodou. Infelizmente, envelhecer o ator por meio de maquiagem, próteses e efeitos modernos pode soar um pouco estranho e artificial, mesmo que isso não comprometa a trama.

Kokuho: O Preço da Perfeição realmente é uma obra cinematográfica essencial que quase beira a perfeição. E, mesmo sendo uma trama longa com quase três horas de duração, certamente merecia ser assistida por aqueles que gostam da cultura japonesa ou que desejam adentrar esse universo, conhecendo seus costumes e tradições ancestrais.

O filme estreia nos cinemas brasileiros em 5 de março de 2026, com distribuição da Sato Company.

Avaliação - 9/10

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