"Ruas da Glória"; uma jornada pelos lados ocultos do Rio, amor e sobrevivência

Divulgação | MDH Entretenimento

• Por Alisson Santos 

Em uma entrevista reveladora concedida ao MDH Entretenimento, sob a condução de Igor do Ó, o diretor Felipe Sholl e os atores Alejandro Claveaux, Caio Macedo e Diva Menner mergulharam nos bastidores do filme Ruas da Glória. A obra chama a atenção por quebrar a tradicional estética ensolarada e turística do Rio de Janeiro, transportando o espectador para o submundo noturno e vulnerável da prostituição no centro da cidade. Além de relatar os desafios da preparação, o elenco discutiu as semelhanças profundas e os lutos reais que se mesclaram com a ficção.

Abaixo, destacamos os pontos centrais e as reflexões mais tocantes compartilhadas na entrevista:

O RIO DE JANEIRO FORA DO CARTÃO POSTAL 

O diretor, Felipe Sholl, escolheu locações na Glória, Lapa e Cinelândia. O objetivo foi exibir um Rio mais noturno, caótico e até mesmo sombrio. Para Alejandro Claveaux, desmistificar o aspecto de "cartão postal" foi uma escolha inteligente que aprofundou a imersão na realidade e nas ruas soturnas da cidade.

VULNERABILIDADE E A AUSÊNCIA DE JULGAMENTOS 

O laboratório para criar o universo dos garotos de programa foi intenso e chocante. O elenco ouviu histórias pesadas sobre mutilação e abusos de poder encomendados contra trabalhadores do sexo, revelando um grau revoltante de extrema violência que essas pessoas sofrem em silêncio e por mera sobrevivência. Apesar desse contexto doloroso, o diretor Felipe Sholl foi muito elogiado pelo elenco por tratar as histórias sem uma lente de moralidade rígida ou julgamentos, focando menos no ato da prostituição em si e mais nos enormes buracos existenciais de quem está nessa condição.

AMOR E SOLIDÃO COMO MOTORES DA VIDA 

Ao serem indagados se o filme foca na solidão ou no amor, a resposta unânime foi que ambas as temáticas andam juntas. Para os atores, a solidão é justamente a ausência desse sentimento – seja o amor romântico, o amor familiar ou o amor próprio. O núcleo da história orbita ao redor do pertencimento e da busca constante dos personagens em encontrar um espaço seguro onde se sintam amados e acolhidos.

MÔNICA: EMPODERAMENTO E A QUEBRA DE ESTEREÓTIPOS TRANS 

A personagem Mônica, interpretada por Diva Menner (que possui formação de cantora lírica), é apontada como o verdadeiro coração da história. Diva conta que se sentiu orgulhosa de viver um papel que quebra os estereótipos frequentemente dados a mulheres trans e travestis nas telas. Sua personagem não é vítima, mas uma "mãezona", mulher chique, vencedora e empoderada, repleta de puro sentimento. Um dos bastidores mais fortes revelados é que Diva cantou no gogó (a capela) de "Nessun Dorma" oito vezes durante a gravação de uma das cenas mais emocionantes do longa.

A DOR DA VIDA REAL LEVADA PARA O SET 

O luto é um tema onipresente no filme, que curiosamente se refletiu de maneira muito direta na vida da equipe. Em uma sequência dramática de coincidências, os atores revelaram que três pais de membros essenciais da produção faleceram durante o projeto. Essas dores reais e o mergulho interno foram usados a favor dos personagens, gerando sequências de improvisos marcantes, como uma fogueira onde todos os atores se colocaram no mesmo nível de vulnerabilidade para expurgar sentimentos reais que não entrou no corte final, mas uniu a "família" do longa.

CONCLUSÃO E A MENSAGEM FINAL 

Fugindo de narrativas que apenas punem as vivências LGBTQ+, a produção busca entregar uma mensagem de força. Ao fim da conversa, Felipe Sholl ressalta que deseja que o público deixe as salas de cinema com a afirmação simples de que "a vida presta". Diva Menner aproveita o espaço para fazer um apelo pela humanização da forma como a sociedade enxerga e trata as travestis, e o recado final dos atores foca em refletir sobre quem é a sua rede de apoio e, em hipótese alguma, desistir.

Assista à entrevista completa no nosso canal do YouTube

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