| Divulgação | O2 Play Filmes |
• Por Daniel Pereira
Falar sobre uma obra tão inteligente e tocante é um desafio, pois O Convite é um filme construído com tantas camadas, que absorve o espectador em uma narrativa imersiva, enclausura sua atenção, e vai extraindo emoções verdadeiramente genuínas. A proposta do filme foge de padrões tradicionais, pois promete um cenário e entrega algo muito além. Dentro de um espaço tão diminuto, a história cresce conforme a trama se desenvolve, como se o ambiente se expandisse junto às emoções dos personagens, de uma forma quase palpável.
Construído como uma comédia, o filme se desenvolve dentro de um cenário mais restrito, tendo seu começo em outras ambientações até sermos enclausurados junto com os personagens em um apartamento. Essa construção é tão sutil, e o enquadramento das cenas ocorre com uma fluidez tão natural, que não transparece a sensação de prisão no ambiente. Tudo soa como se fizéssemos parte daquela vida, da narrativa e da história como um todo.
O humor se desenvolve como um contraposto à raiva, e ambos se mesclam, instigando a presença da ansiedade, que se manifesta nos personagens e cresce ao ritmo da sonoplastia do filme, gerando tensão e um desejo direto de interferência. Mas tudo parece se dissipar quando a bomba de emoções está prestes a explodir, como se a própria narrativa puxasse as cordas do cenário, trazendo uma calmaria que se manifesta como um constrangimento nos personagens, gerando o desejo de se desculpar, tentar se adaptar, e esse ciclo se prolonga em diversas tentativas que parecem colocá-los em sofrimento. Ainda assim é bonito de se ver.
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O roteiro de Will McCormack e Rashida Jones se funde à direção primorosa de Olivia Wilde como duas potências que se juntam, gerando algo tão genuíno e real que prospera a cada nova cena de uma maneira muito orgânica. Justamente essa mescla é o que faz cada personagem brilhar, e, quando o quarteto se une, é como um verdadeiro caos que traz uma beleza cativante. A junção do elenco escancara sinergia e naturalidade, provocando e convidando o espectador a fazer parte da história, como uma necessidade de intervir e se expor a tudo que ocorre entre as paredes do apartamento.
Penélope Cruz se apresenta divina como Piña, cativando e roubando totalmente a cena com suas falas, reflexões e facetas de sua personagem tão elegante, sexy e misteriosa. Essa projeção é o que complementa e gera uma química incrível com Seth Rogen, que traz um tom de humor mais sério à narrativa, mas que funciona genuinamente bem. Em contrapartida Olivia surge como uma avalanche de ansiedade, com sua personagem prestes a explodir, e isso é exposto de uma forma que convida a querer conhecer mais de Angela. Quanto a Edward Norton, como o audacioso Hawk, ele complementa o elenco como a figurada humorada da obra completa o círculo de personagens amarrando cada ponta da narrativa.
O Convite é um filme que trilha um caminho sinuoso, por vezes ambíguo, mas inteiramente honesto em todas as suas formas, com todas as suas emoções que te fazem rir com seu humor inteligente e chorar com sua verdade. É uma história em que o fim é aquilo no que você escolhe acreditar. São duas opções, e não importa qual você vai escolher, porque não há erros, apenas a verdade de novos começos; um convite.
O Convite estreia dia 9 de julho nos cinemas.
Avaliação - 10/10
Se entrega tudo isso que a crítica promete, deve ser uma experiência e tanto.
ResponderExcluirCaramba, fazia tempo que uma crítica não me deixava tão curiosa para assistir um filme. Entrou na minha lista.
ResponderExcluirAdorei o texto.
ResponderExcluirQuero muito ver esse, só pelo Seth Rogen.
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