A barbárie que expõe uma geração sem limites

Divulgação | MDH Entretenimento

• Por Alisson Santos 

O que aconteceu com Orelha não foi um “caso isolado”, nem um “excesso juvenil”, muito menos uma “brincadeira que saiu do controle”. O que aconteceu com Orelha foi um ato de barbárie. Um crime cruel, covarde e revelador, que escancara um problema muito maior do que a morte de um cão comunitário em Santa Catarina; a normalização da violência como entretenimento e a falência moral de jovens que já não reconhecem limites, empatia ou consequência.

Orelha era parte viva da Praia Brava, em Florianópolis. Um cão comunitário cuidado por moradores, comerciantes e frequentadores da região. Alimentado, protegido, reconhecido. Não era “um cachorro de rua qualquer”. Era um símbolo de convivência, de afeto coletivo, de uma comunidade que entendia que cuidar de um animal também é cuidar do espaço onde se vive. Ainda assim, isso não foi suficiente para protegê-lo da brutalidade.

Segundo as investigações, adolescentes o espancaram até um ponto irreversível. Orelha foi encontrado gravemente ferido, jogado numa área de mata, com dores tão intensas e lesões tão profundas que a única saída foi a eutanásia. Não houve chance. Não houve resgate possível. Houve apenas o fim — violento, injusto e provocado.

É preciso dizer sem rodeios; isso não é falta de maturidade, é crueldade. Não é “coisa de jovem”, é escolha. Não é impulso, é consciência. Quem agride um animal indefeso até a morte sabe exatamente o que está fazendo. A tentativa de relativizar o caso por conta da idade dos envolvidos é perigosa e revela um vício social antigo; a ideia de que juventude é sinônimo de inimputabilidade moral. Não é. Jovens entendem dor. Entendem medo. Entendem sofrimento. E justamente por isso devem responder à altura do que fizeram. Não por vingança, mas por responsabilidade.

O caso de Orelha expõe um alerta grave. A violência contra animais é reconhecida internacionalmente como um dos primeiros sinais de comportamentos violentos mais amplos. Não é coincidência, não é exagero. Quem cruza essa linha aprende que pode ferir sem consequências — e isso nunca termina bem.

A comoção pública, os protestos e a indignação não surgiram apenas porque um cachorro morreu. Surgiram porque a sociedade reconheceu naquele corpo ferido algo intolerável; a ideia de que a crueldade pode passar impune, desde que praticada por jovens de famílias conhecidas na cidade, longe das câmeras oficiais, contra alguém que não pode se defender.

Orelha virou símbolo porque sua morte foi inútil, brutal e evitável. E porque ela exige algo que vai além de notas de repúdio e investigações protocolares. Exige punição exemplar dentro da lei, acompanhamento sério dos envolvidos e, principalmente, o abandono definitivo da narrativa confortável de que “são apenas adolescentes”. Não. São responsáveis. E a memória de Orelha só será honrada quando a justiça deixar claro que a sociedade não tolera esse tipo de violência — nem hoje, nem nunca. Orelha não era apenas um cão comunitário. Era um teste de humanidade. E alguém falhou gravemente.

Comentários

  1. André Silveira24/1/26

    Nada mais me surpreende vindo de SC.

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  2. Matias Carvalho24/1/26

    #justiçapororelha

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  3. Gabriele Lima24/1/26

    Não vamos esquecer, pessoal. Não vamos deixar passar impune.

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  4. Marcos Gaspar24/1/26

    #justiçapororelha

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