Grazi Massafera diz que nova 'Dona Beja' vai incomodar e provocar debates: “Vai ter quem chame de lacração, vai ter crítica, vai ter hater. E tudo bem”
| Divulgação | Igor do Ó |
• Por Alisson Santos
A nova versão de Dona Beja, que estreia os 5 primeiros episódios na HBO Max no dia 2 de fevereiro, já nasce com disposição para causar desconforto — e isso está longe de ser um problema para Grazi Massafera. Durante a coletiva de imprensa da produção, realizada nesta terça-feira (27), a atriz falou abertamente sobre o tom provocador da obra e sobre as reações que ela espera do público. “Vai ter quem chame de lacração, vai ter crítica, vai ter hater. E tudo bem”, afirmou.
Para Grazi, a personagem representa um marco pessoal e profissional. Segundo a atriz, nunca esteve tão envolvida emocionalmente com um papel. “É a primeira vez que sinto que estou completamente encarnada em uma personagem. Dona Beja é, sem dúvida, o trabalho que eu mais amei fazer”, declarou.
Quase quatro décadas após a versão clássica protagonizada por Maitê Proença, a história de Ana Jacinta de São José retorna em um novo formato — e com outro olhar. A produção faz questão de se afastar da ideia de remake. “Não estamos refazendo nada. É uma releitura que usa o passado para dialogar diretamente com o presente”, explicou Grazi.
Figura histórica do século 19, Ana Jacinta se tornou lendária por desafiar normas sociais rígidas impostas às mulheres da época. Mãe solo, independente e constantemente julgada, ela foi alvo de boatos que ajudaram a construir uma imagem distorcida ao longo dos anos. A nova novela tenta justamente desmontar essa narrativa simplificada.
Sob direção de Daniel Berlinsky, Dona Beja aposta em uma dramaturgia que não evita temas espinhosos. Machismo, racismo, homofobia, transfobia e desigualdade social aparecem como camadas da trama, sempre conectadas ao contexto histórico. “A sociedade mudou menos do que gostaríamos. O que mudou foi a nossa consciência”, observou o diretor.
Berlinsky também destacou como a história real de Beja foi reduzida ao longo do tempo. “O que se sabe com certeza sobre ela é muito pouco; uma mulher solteira, com filhas, que se sustentava sozinha. Só isso já era suficiente para escandalizar”, afirmou. A partir desse ponto, a série amplia o foco para personagens e experiências que costumam ficar à margem dos registros oficiais.
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O elenco reforça essa perspectiva coletiva. Além de Grazi, a novela conta com nomes como Erika Januza, Deborah Evelyn, Indira Nascimento, Thalma de Freitas, Bianca Bin, David Junior e Otávio Muller, entre outros. Para Erika Januza, que interpreta Candinha, a força da narrativa está na união entre mulheres. “É uma história sobre cair, levantar e seguir em frente. Essa força é algo que atravessa a novela inteira”, disse.
Indira Nascimento também destacou a complexidade de sua personagem, Maria. “Ela erra, exagera, volta atrás. É intensa e profundamente humana. Quero que o público enxergue isso”, comentou.
Em um dos momentos mais emocionantes do encontro, Thalma de Freitas elogiou a postura de Grazi dentro e fora do set. “Voltar à teledramaturgia com uma história dessas é um presente. E trabalhar com alguém que tem ética e coragem artística é inspirador”, afirmou.
Consciente de que a produção deve dividir opiniões, Grazi vê a repercussão como parte essencial do processo. “Quando uma obra provoca, ela obriga a sociedade a se olhar no espelho. Qualquer crítica pesada vira uma oportunidade de reafirmar valores”, disse. E completou: “Beja não pede licença para existir. É esse tipo de mulher que eu acredito e que quero ensinar minha filha a ser”.
Então já manda ela se preparar para o flop
ResponderExcluirOnde eu consigo encontrar a primeira versão?
ResponderExcluirAcho que tem disponível no YouTube
ExcluirAmo a Grazi, quero muito assistir
ResponderExcluirEla arrasa, fala o que pensa, doa quem doer.
ResponderExcluirSerão quantos episódios?
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