Karim Aïnouz volta ao Festival de Berlim com sátira familiar afiada e elenco internacional

Divulgação | Felix Dickenson

• Por Alisson Santos 

O cineasta cearense Karim Aïnouz está oficialmente de volta à disputa por um dos principais prêmios do cinema autoral mundial. Seu novo longa-metragem, Rosebush Pruning, foi selecionado para a competição oficial da 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, consolidando mais um capítulo de destaque na trajetória internacional do diretor brasileiro.

Conhecido por obras como Madame Satã, A Vida Invisível, Praia do Futuro e, mais recentemente, Motel Destino, Aïnouz retorna à Berlinale após mais de uma década desde sua última participação em competição, em 2014. Agora, ele apresenta um filme que mistura sátira, humor ácido e crítica social, ambientado em uma mansão na Catalunha e centrado em uma família americana rica, excêntrica e profundamente disfuncional.

“Estou feliz da vida de voltar ao Festival de Berlim, um festival visionário”, afirmou o diretor. Para Aïnouz, o evento representa uma vitrine ideal para o novo trabalho, que aposta em um “afiado senso de humor marcado pela transgressão e ousadia”, valores que ele associa tanto ao festival quanto à própria cidade de Berlim.

UMA FAMÍLIA A BEIRA DO COLAPSO

Descrito como uma ousada sátira contemporânea sobre as contradições da família tradicional, Rosebush Pruning acompanha os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert, herdeiros de uma fortuna que lhes permite viver isolados do mundo real, cercados por luxo, roupas de grife e conflitos cada vez mais absurdos.

Enquanto ignoram as necessidades do pai cego e buscam afeto uns nos outros, a estabilidade frágil da família começa a ruir quando Jack, o primogênito e eixo central da dinâmica familiar, anuncia que deixará a mansão para viver com a namorada Martha. A partir daí, segredos vêm à tona, especialmente ligados à morte misteriosa da mãe, levando os irmãos a uma espiral de mentiras, violência e desintegração emocional. O filme reúne um elenco internacional expressivo, com Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage e Elena Anaya, além de participações de Tracy Letts, Elle Fanning e Pamela Anderson. 

No roteiro, Aïnouz se une ao grego Efthimis Filippou, indicado ao Oscar por O Lagosta e conhecido por parcerias marcantes com Yorgos Lanthimos em obras como O Sacrifício do Cervo Sagrado e Tipos de Gentileza. A colaboração promete intensificar o tom provocador e o humor desconfortável que permeiam o longa.

A equipe técnica também reúne nomes de prestígio, como a figurinista indicada ao Oscar Bina Daigeler (Tár), a maquiadora Barbara Kreuzer, o diretor de arte Rodrigo Martirena e os montadores Heike Parplies, David Jancso e Ilka Janka Nagy. A fotografia volta a ser assinada por Hélène Louvart, parceira frequente de Aïnouz, reforçando a identidade visual refinada que marca seus filmes.

Rosebush Pruning é uma coprodução internacional que envolve Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido, com financiamento liderado pela MUBI ao lado de empresas como The Apartment (Fremantle) e Gold Rush Pictures. As vendas internacionais ficam a cargo da The Match Factory, uma das principais distribuidoras de cinema de autor no mundo.

O projeto também contou com apoio de diversos fundos e incentivos europeus, como o German Federal Film Board, o Medienboard, o UK Global Screen Fund e o incentivo fiscal espanhol, evidenciando o alcance e a confiança internacional no trabalho do diretor brasileiro.

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