Co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, defende acordo bilionário entre Netflix e Warner em audiência no Senado

 Divulgação | Amanda Edwards

• Por William Silva 

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, participou de uma longa audiência no Senado dos Estados Unidos para defender o acordo bilionário entre a Netflix e a Warner Bros. Discovery, que prevê a compra dos estúdios Warner e do HBO Max. Nesta audiencia, parlamentares de ambos os partidos demonstraram preocupação com os possíveis impactos da transação sobre a concorrência, os empregos na indústria do entretenimento e os preços dos serviços de streaming.

Um deles foi o presidente da subcomissão, senador Mike Lee, que afirmou que o acordo levanta sérias questões antitruste, já que Netflix e Warner Bros. competem tanto na produção de filmes e séries quanto no mercado de streaming por assinatura. Segundo ele, a união daria à Netflix poder para limitar o licenciamento de conteúdo, prejudicar concorrentes e até reduzir a oferta de filmes para os cinemas, transformando a empresa na “plataforma definitiva” do entretenimento.

Junto dele, o senador Cory Booker reforçou essas preocupações ao afirmar que a venda da Warner Bros. para qualquer concorrente pode resultar em menos produções e impactar negativamente dezenas de milhares de trabalhadores de Hollywood. Para ele, a Netflix já exerce grande influência sobre o mercado e a fusão poderia reduzir as opções disponíveis aos consumidores.

Em resposta, Sarandos afirmou que o acordo fortalecerá a indústria americana de entretenimento, preservará empregos e ampliará as oportunidades para criadores. Ele destacou que a Netflix não possui um estúdio tradicional do porte da Warner e que pretende manter os negócios adquiridos operando de forma semelhante à atual, inclusive preservando a janela de exibição de 45 dias nos cinemas. Segundo ele, a empresa não está eliminando concorrência direta, mas adquirindo ativos complementares.

Sarandos também argumentou que o mercado de streaming continua altamente competitivo, citando empresas como YouTube, Amazon, Apple e Disney. Ele ressaltou que a Netflix não domina o mercado de audiência de TV nos EUA e que, mesmo após a fusão, sua participação combinada com o HBO Max ficaria abaixo da do YouTube. Além disso, afirmou que a maioria dos assinantes do HBO Max também já assina a Netflix, o que reforçaria o caráter complementar dos serviços.

Durante a audiência, senadores também questionaram o impacto do acordo sobre preços, já que a Netflix aumentou suas tarifas recentemente. Sarandos respondeu que os consumidores têm liberdade para cancelar serviços facilmente e que a concorrência mantém os preços sob controle. A Netflix também afirmou que, com a fusão, poderá oferecer mais conteúdo por um custo menor e até pacotes com desconto.

A sessão também foi marcada por críticas de senadores republicanos ao que chamaram de viés político e ideológico da Netflix, especialmente em conteúdos considerados progressistas ou ligados a pautas de gênero. Sarandos negou qualquer agenda política, afirmou que a empresa busca apenas entreter públicos diversos e destacou a existência de controles parentais. Ele também defendeu a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda.

Outro ponto sensível foi a menção ao encontro de Sarandos com o presidente Donald Trump e à compra de ações da Netflix e da Warner por Trump após o anúncio do acordo. Sarandos minimizou o encontro, disse que apenas apresentou informações gerais e afirmou confiar na análise independente dos órgãos reguladores.

Executivos da Warner Bros. Discovery também defenderam a transação, afirmando que a fusão permitirá ampliar a capacidade de produção, reduzir riscos financeiros e levar o conteúdo da Warner a uma plataforma de distribuição mais ampla. As empresas alegam que, ao contrário de propostas rivais, o acordo com a Netflix não depende de demissões em massa.

Por fim, Netflix e Warner Bros. Discovery confirmaram que já estão dialogando com autoridades antitruste nos Estados Unidos e na Europa, e que o acordo seguirá sob rigorosa análise regulatória antes de qualquer aprovação final.

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