Polícia Civil conclui investigação sobre morte do cão Orelha na Praia Brava e pede internação de adolescente em Santa Catarina

Divulgação | MDH Entretenimento

• Por Alisson Santos 

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu oficialmente, na noite desta terça-feira (3), as investigações que vinham mobilizando autoridades, organizações de proteção animal e moradores da Praia Brava, em Florianópolis, desde os primeiros dias de janeiro, quando o cão comunitário conhecido como Orelha foi vítima de uma agressão brutal e acabou morrendo em consequência dos ferimentos. O inquérito policial também apurou uma tentativa de afogamento contra um segundo cachorro da região, chamado Caramelo, que, felizmente, sobreviveu ao ataque.

De acordo com a conclusão do trabalho investigativo, um adolescente foi apontado como o autor principal da agressão que levou à morte de Orelha, e a Polícia Civil representou pela internação provisória do jovem, medida equivalente à prisão para pessoas na mesma faixa etária, por considerar a gravidade do ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. A identificação do suspeito foi possível graças a uma análise minuciosa de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, além do cruzamento de provas como vestimentas observadas nos vídeos e depoimentos colhidos ao longo do processo.

Orelha, um animal que há mais de uma década era reconhecido e cuidado por moradores, comerciantes e frequentadores da Praia Brava, foi encontrado no dia 4 de janeiro com ferimentos graves na cabeça, que peritos atestaram terem sido causados por pancadas contundentes, possivelmente por meio de chutes ou golpes com objetos rígidos. Mesmo socorrido e levado a uma clínica veterinária, o cão não resistiu à gravidade dos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte.

Paralelamente à apuração do caso Orelha, a investigação também apontou que outros quatro adolescentes foram representados pela Polícia Civil por envolvimento na tentativa de afogamento do cão Caramelo, episódio ocorrido em circunstâncias semelhantes na mesma praia, quando um dos cães foi levado em direção ao mar por um dos jovens, mas conseguiu escapar e sobreviver. Nos dois casos, concluiu-se que os atos dos menores configuram atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos a animais, previstos na legislação brasileira.

O processo, que tramitará em segredo de Justiça em razão da participação de menores de idade, agora segue para análise do Poder Judiciário após o envio dos autos pelo Ministério Público. A Polícia Civil também indiciou três adultos nos autos por coação de testemunha durante a tramitação das investigações, responsável por tentar influenciar depoimentos que poderiam auxiliar na elucidação dos fatos.

A conclusão das investigações encerra um capítulo doloroso para a comunidade da Praia Brava, que viu o caso ganhar repercussão nacional e gerar debates sobre proteção animal, responsabilização criminal e a eficácia das instituições de segurança e justiça no enfrentamento de crimes praticados por menores. Entre os debates mais intensos esteve a discussão sobre o papel da sociedade e das autoridades na proteção de animais comunitários e vulneráveis, bem como a necessidade de políticas públicas mais eficazes de educação, prevenção e punição de maus-tratos.

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