| Divulgação | Gonzalo Chalo García |
• Por Alisson Santos
O cinema brasileiro segue conquistando espaço e reconhecimento internacional — e um dos grandes protagonistas desse momento é o longa Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton. Após uma trajetória marcada por recepções calorosas e prêmios importantes, o filme acaba de alcançar um novo patamar ao sair consagrado da 41ª edição do Festival de Guadalajara, levando os prêmios de Melhor Filme e Melhor Interpretação para Teca Pereira e Yuri Gomes na seção Maguey, dedicada a narrativas com temáticas LGBTQ+.
A decisão do júri destacou a força sensível da obra ao retratar, com delicadeza, temas universais como amor, inocência e pertencimento. Segundo a justificativa, o filme se destaca não apenas pelas atuações, mas também pela construção estética e narrativa que convida o público a refletir sobre a importância de espaços seguros para identidades queer.
A conquista em Guadalajara chega apenas uma semana após Yuri Gomes já ter sido reconhecido como Melhor Interpretação no Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), consolidando o jovem ator — em sua estreia no cinema — como uma das revelações mais marcantes do ano. Aos 12 anos, o ator baiano vem acumulando elogios por sua performance ao lado de nomes experientes como Lázaro Ramos e Teca Pereira.
Durante a premiação, Allan Deberton celebrou o momento vivido pelo filme, destacando a conexão com o público internacional. Segundo ele, a jornada de Feito Pipa tem sido marcada por sessões emocionantes e uma recepção calorosa desde sua estreia em festivais. A história de Gugu e Dilma, afirmou o diretor, tem tocado espectadores por onde passa. E essa trajetória está longe de desacelerar. O longa foi escolhido para abrir o 26º Festival Internacional de Cine en Puerto Vallarta, ampliando ainda mais sua presença no circuito internacional.
Mas foi na Berlinale 2026 que Feito Pipa deu seu primeiro grande salto global. O filme foi ovacionado nas três sessões em que foi exibido e conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme (Júri Jovem), além do Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus — um dos espaços mais relevantes para produções voltadas à infância e juventude no cinema mundial.
Ambientado em Quixadá, no Ceará, o longa acompanha Gugu, um menino que sonha em ser jogador de futebol e vive sob os cuidados da avó Dilma. A relação entre os dois é construída com afeto e liberdade, mas ganha contornos mais delicados quando a saúde da avó começa a se fragilizar. Com medo de ser separado dela e forçado a viver com o pai, Gugu tenta esconder a situação, conduzindo a narrativa por caminhos emocionais que abordam amadurecimento, vínculos familiares e identidade.
Produzido pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes, em coprodução com a Warner Bros., Feito Pipa conta com distribuição nacional da Paris Filmes e vendas internacionais pela M-appeal. O projeto também reúne uma ampla rede de apoio institucional e financeiro, incluindo iniciativas públicas e privadas que reforçam a importância de políticas de incentivo ao audiovisual brasileiro.
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