Crítica | Minions & Monstros - Encontra frescor ao revisitar a era de ouro de Hollywood.

Divulgação | Universal Pictures

• Por Alisson Santos 

Depois de mais de uma década explorando o potencial comercial dos Minions, a Illumination finalmente encontra uma forma realmente criativa de justificar mais uma aventura protagonizada pelos pequenos seres amarelos. Minions & Monstros é, antes de qualquer coisa, uma apaixonada homenagem ao nascimento da indústria cinematográfica. Ao transportar seus personagens para a Hollywood dos anos 1920, o estúdio deixa de lado, ao menos durante boa parte da projeção, a fórmula repetitiva baseada apenas em humor caótico para construir uma divertida declaração de amor à história do cinema.

É curioso perceber como um filme claramente voltado ao público infantil consegue encontrar sua melhor inspiração justamente em referências que muitas crianças sequer compreenderão completamente. Ainda assim, esse nunca parece ser um problema. Pelo contrário; a produção entende que uma boa homenagem funciona em diferentes camadas, oferecendo o pastelão para os pequenos enquanto reserva inúmeras piscadelas para os adultos apaixonados pela sétima arte. A primeira metade do longa é facilmente o ponto alto da experiência.

Desde os primeiros minutos, Minions & Monstros mergulha no universo do cinema mudo, revisitando momentos importantes da evolução de Hollywood através do olhar completamente desastrado dos Minions. A narrativa brinca com a origem dos grandes estúdios, com a linguagem do cinema silencioso, com o nascimento dos efeitos especiais e até com a transição para o cinema falado, período que redefiniu completamente a indústria e encerrou a carreira de inúmeros astros da época.

O roteiro utiliza esse contexto histórico como combustível para uma sucessão quase ininterrupta de referências. Há homenagens aos pioneiros do cinema, piadas envolvendo clássicos da era muda, recriações visuais que remetem diretamente a obras de Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, além de inúmeras citações escondidas espalhadas pelos cenários. É um daqueles filmes que certamente renderá novas descobertas a cada assistida.

O mais interessante é que essas referências nunca soam como simples fan service. Elas fazem parte da construção da narrativa. A própria limitação dos Minions, incapazes de se comunicar de maneira convencional, torna-se uma inteligente metáfora para os artistas do cinema silencioso que viram suas carreiras desaparecerem com a chegada do som. É uma sacada surpreendentemente sofisticada para uma franquia que sempre viveu do humor físico.

Essa ambientação também representa um enorme respiro criativo para a série. Depois de anos repetindo estruturas muito semelhantes, a mudança de cenário traz uma identidade visual completamente diferente. Os estúdios antigos, os cenários grandiosos, os bastidores das filmagens e toda a estética inspirada na Hollywood clássica ajudam a criar uma atmosfera charmosa que dificilmente era esperada de um filme dos Minions.

Infelizmente, essa criatividade perde força na segunda metade. Quando a história abandona o universo do cinema para mergulhar na aventura envolvendo monstros, magia e criaturas sobrenaturais, o filme retorna a uma estrutura extremamente familiar. O roteiro passa a seguir praticamente a cartilha tradicional da franquia; perseguições frenéticas, explosões de cores, muito humor físico, vilões caricatos e uma sucessão quase interminável de confusões.

Divulgação | Universal Pictures

Nada disso é exatamente ruim. Na verdade, funciona muito bem para aquilo que a Illumination sempre se propôs a fazer. As crianças provavelmente irão preferir justamente essa parte da narrativa, que aposta em um ritmo acelerado, piadas visuais constantes e uma energia quase ininterrupta. Os Minions continuam sendo mestres do humor corporal, da comédia baseada no caos e das situações completamente absurdas que dispensam qualquer diálogo elaborado. O problema é justamente a sensação de familiaridade.

Depois de uma primeira metade tão inventiva, a reta final parece abrir mão de toda essa originalidade para entregar algo que poderia facilmente estar presente em qualquer outro capítulo da franquia. A sensação é de que existem praticamente dois filmes diferentes convivendo dentro da mesma produção; um primeiro extremamente inspirado, repleto de personalidade e referências inteligentes; e outro que volta para a zona de conforto da Illumination. Essa mudança estrutural impede que Minions & Monstros alcance um nível ainda mais alto.

Mesmo assim, seria injusto dizer que a aventura perde completamente o encanto. O humor continua funcionando, a animação mantém o padrão técnico elevado do estúdio e o ritmo dificilmente deixa espaço para o tédio. Além disso, o filme compreende muito bem seu público-alvo e nunca deixa de entregar exatamente aquilo que tornou os Minions um fenômeno mundial.

Visualmente, a produção também merece destaque. A reconstrução da Hollywood dos anos 1920 é rica em detalhes, enquanto a direção de arte brinca constantemente com elementos do cinema clássico sem abandonar a identidade cartunesca da franquia. A animação continua extremamente expressiva, principalmente nas inúmeras sequências de comédia física, onde praticamente não há necessidade de diálogos para arrancar risadas.

Talvez o maior mérito do longa seja justamente conseguir dialogar com diferentes gerações ao mesmo tempo. Enquanto as crianças se divertem com as trapalhadas dos Minions, muitos adultos encontrarão uma quantidade impressionante de homenagens espalhadas pela narrativa. Em alguns momentos, a sensação é de que o filme foi pensado tanto para divertir quanto para despertar curiosidade sobre a própria história do cinema. E isso talvez seja sua maior vitória.

Ao utilizar os Minions como ferramenta para apresentar — ainda que de maneira extremamente lúdica — parte da evolução da linguagem cinematográfica, Minions & Monstros faz algo raro dentro do cinema comercial contemporâneo; transforma entretenimento em uma porta de entrada para a cinefilia. Talvez muitas crianças não compreendam hoje todas as referências presentes na tela, mas algumas certamente perguntarão aos pais quem foi Chaplin, por que aqueles filmes eram em preto e branco ou como nasceu Hollywood. Se isso acontecer, o filme já terá alcançado um objetivo muito maior do que simplesmente vender brinquedos.

No fim das contas, Minions & Monstros não reinventa completamente a franquia, mas oferece sua proposta mais criativa em muitos anos. A primeira metade funciona como uma deliciosa carta de amor ao cinema, repleta de inteligência, referências e criatividade, enquanto a segunda retorna ao terreno seguro da aventura infantil tradicional. Estruturalmente, a história não traz tantas novidades em sua conclusão, mas continua sendo uma experiência divertida, leve e eficiente, especialmente para quem já tem carinho pelos personagens.

Minions & Monstros estreia amanhã nos cinemas.

Avaliação - 7/10

Comentários

  1. Rodrigo Alves30/6/26

    E será mais um filme da franquia a farmar muita grana! Não sou fã dos filmes solos dos Minions, mas temos que admitir que é uma máquina de fazer dinheiro.

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  2. Rebeca Santos1/7/26

    Adorei essa opinião sobre o filme.

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  3. Jéssica Martins1/7/26

    Parece bem legal.

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