Crítica | X-Men '97 – 2ª temporada reafirma que a animação da Marvel vive um de seus melhores momentos.

Divulgação | Marvel Animation

• Por Alisson Santos 

Quando a primeira temporada de X-Men '97 estreou, havia um enorme desafio diante da Marvel Animation; provar que um revival de uma animação dos anos 90 poderia dialogar com a nostalgia sem se tornar refém dela. O resultado foi uma das produções mais celebradas do estúdio nos últimos anos. Agora, a segunda temporada assume uma missão ainda mais difícil; expandir esse universo sem perder a identidade que conquistou antigos fãs e uma nova geração.

Os quatro primeiros episódios deixam claro que essa continuação não pretende apenas repetir a fórmula do sucesso. Pelo contrário, a série aposta em uma narrativa significativamente mais ambiciosa, transformando a viagem no tempo em uma ferramenta para explorar não apenas diferentes períodos históricos, mas também a essência de seus personagens.

A decisão de dividir os X-Men entre um futuro devastado pelo domínio de Apocalipse e o Egito Antigo, onde En Sabah Nur ainda está distante de se tornar o tirano conhecido pelos fãs, oferece um dinamismo raro para uma animação seriada. São duas histórias que caminham paralelamente, mas que conversam o tempo inteiro através de temas como destino, legado e livre-arbítrio.

O grande mérito do roteiro está justamente em compreender que o maior conflito não nasce das batalhas, mas das escolhas. Ao apresentar um Apocalipse que ainda conserva traços de humanidade e um ideal genuíno de libertação de seu povo, a série abandona a visão simplista do vilão absoluto. Em vez disso, propõe uma reflexão interessante; será que todo grande inimigo nasce inevitavelmente destinado ao mal, ou são suas experiências que moldam esse caminho?

Essa construção transforma En Sabah Nur em um personagem surpreendentemente complexo. Pela primeira vez em muito tempo, Apocalipse deixa de ser apenas uma força imparável da natureza para assumir contornos dramáticos muito mais ricos, o que fortalece ainda mais sua importância dentro da mitologia dos X-Men.

Enquanto isso, Scott Summers continua sendo o personagem mais consistente da série. Se durante décadas Ciclope foi frequentemente reduzido ao papel de líder disciplinado, X-Men '97 insiste em mostrar todas as camadas do personagem. Sua relação com Jean Grey ganha ainda mais profundidade quando ambos encontram Nathan Summers ainda criança.

O reencontro entre pais e filho vai muito além do fan service para leitores dos quadrinhos. É um momento que sintetiza perfeitamente um dos maiores temas da franquia; a esperança. Mesmo diante de futuros destruídos e destinos aparentemente inevitáveis, a série encontra espaço para falar sobre família, responsabilidade e sacrifício sem abandonar o ritmo acelerado da narrativa.

Visualmente, a produção continua impressionante. A animação preserva o estilo clássico da série original, mas eleva sua execução através de movimentos de câmera mais cinematográficos, iluminação mais sofisticada e sequências de ação extremamente fluidas. Os combates possuem peso, velocidade e clareza visual, algo que muitas produções em CGI ainda encontram dificuldade para alcançar.

Divulgação | Marvel Animation

Existe uma confiança muito grande na direção dos episódios. A série sabe exatamente quando acelerar o espetáculo e quando desacelerar para permitir que seus personagens respirem. Essa alternância cria uma experiência muito mais envolvente do que simplesmente entregar uma sucessão de cenas de ação.

Outro detalhe que demonstra o cuidado da equipe criativa é a abertura personalizada de cada episódio. Em vez de funcionar apenas como uma introdução, ela se transforma em uma extensão da narrativa, trazendo pequenas alterações, referências e easter eggs que valorizam ainda mais a experiência dos espectadores mais atentos.

Narrativamente, também impressiona a maneira como a temporada adapta diferentes sagas clássicas dos quadrinhos sem parecer uma simples colagem de histórias famosas. Os acontecimentos fluem naturalmente, preservando a essência das HQs enquanto reorganizam eventos para servir melhor à estrutura televisiva. Essa liberdade criativa impede que até mesmo leitores veteranos saibam exatamente para onde a história seguirá, criando um equilíbrio interessante entre fidelidade e inovação.

Naturalmente, nem tudo é perfeito. Algumas pequenas inconsistências envolvendo a continuidade de determinados personagens permanecem presentes. Certas relações e aparições parecem ignorar acontecimentos anteriormente estabelecidos tanto na animação clássica quanto na primeira temporada de X-Men '97. Felizmente, são detalhes pontuais que dificilmente comprometem o envolvimento com a trama principal.

Também chama atenção como a produção atravessa os bastidores turbulentos envolvendo Beau DeMayo sem que isso seja perceptível na tela. Independentemente das mudanças ocorridas durante o desenvolvimento da temporada, o material apresentado mantém a mesma identidade narrativa, a mesma qualidade de escrita e o mesmo respeito pelo legado da franquia. Essa continuidade talvez seja o maior elogio possível ao trabalho da equipe criativa.

Há uma compreensão muito clara de que X-Men nunca foi apenas sobre super-heróis enfrentando vilões. A franquia sempre utilizou seus personagens para discutir preconceito, identidade, política, família e pertencimento. A segunda temporada preserva essa essência enquanto amplia sua escala para contar uma história muito maior.

E se os três primeiros episódios já deixam claro o enorme potencial desta temporada, o quarto capítulo simplesmente eleva a série a outro patamar. É um episódio que reúne espetáculo visual, tensão dramática, desenvolvimento de personagens e momentos que ficarão marcados na história da franquia. Sem entrar em spoilers, basta dizer que o quarto episódio é uma das coisas mais absurdamente insanas já feitas para o X-Men em qualquer mídia. É um daqueles raros momentos em que uma adaptação não apenas faz justiça ao material original, mas entrega algo que entra imediatamente para o hall dos maiores acontecimentos já produzidos envolvendo os Filhos do Átomo.

A produção terá 10 episódios e estreia na plataforma em 1 de julho. Os três primeiros capítulos serão lançados de uma só vez, enquanto os demais chegarão semanalmente.

Avaliação - 9/10

Comentários

  1. Henrique Martins27/6/26

    HYPEI EM

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  2. Léo Santos27/6/26

    Tô muito ansioso, puta que me pariu.

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  3. Hebert Santos27/6/26

    Gostei bastante de saber que a série continua evoluindo sem depender só da nostalgia. Pelo visto, eles conseguiram aprofundar os personagens, especialmente o Apocalipse e o Ciclope, além de manter a qualidade da animação e da narrativa. Se a temporada realmente entregar tudo isso até o fim, tem tudo para ser mais um grande acerto da Marvel Animation.

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  4. Laura Bento28/6/26

    Ansiosa demais pelos meus Filhos do Átomo ❤️

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