Crítica | A Pequena Amélie - Uma excelente obra que não tem pressa de crescer, transitando em seu próprio tempo até chegar ao ponto final, assim como a vida.

Divulgação | Mares Filmes
• Por William Silva 

A Pequena Amélie
pode não ser aquele filme cheio de estímulos que vemos nas produções de hoje, cujo objetivo é prender o público infantil, mas ainda se consolida como uma obra essencial. Ela nos ensina que, mesmo em um mundo marcado por perdas, a vida continua sendo um espetáculo de pequenas e belas descobertas.

​A narrativa criada por Amélie Nothomb — que nos conta a história pelos olhos de uma criança em seus três primeiros anos de vida no Japão — é sutil, mas cativante ao mostrar com veracidade o mundo através desse pequeno ser chamado Amélie. Enquanto aprende sobre a vida, o mundo mágico em que as crianças vivem é retratado com suavidade, mesmo em passagens mais densas. Um exemplo é a cena em que Nishio-san, a governanta da família, fala sobre a guerra no Japão. Por ser um fato real, ainda que abordado de maneira fictícia ao narrar a trajetória dessa personagem naquela época, o momento consegue ser um dos mais pesados de toda a obra. Esse momento ensina de forma didática como podemos aprender com essas experiências e seguir a vida guardando belas lembranças, compreendendo que o mundo vasto e cheio de descobertas ainda tem muito a nos oferecer.

E por falar na personagem Nishio-san, é impressionante a maneira como ela foi construída, tanto tecnicamente quanto em sua essência no roteiro. Enquanto todos à sua volta são mais detalhados e com traços agressivos, fazendo com que pareçam deslocados, ela possui traços sutis que fluem junto ao ambiente, funcionando como uma âncora de humanidade e um espelho da realidade para nossa pequena protagonista enquanto esta aprende sobre a vida.

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Mas não é só ela que tem traços agradáveis; toda a animação é construída de tal forma que parece uma pintura viva feita à mão, trazendo robustez e leveza quando necessário. Esse ar emocional reflete-se inclusive nos olhos da personagem, que, para mim, é um dos detalhes mais lindos deste longa: eles não são apenas vívidos e brilhantes, são profundos e cheios de emoções como alegria, tristeza e curiosidade. Tudo isso também se potencializado pela trilha sonora que, com notas suaves e concretas, convida-nos a ouvir o mundo como se voltássemos à infância, quando tudo era tão mágico que nem percebíamos o tempo passar.

No entanto, acredito que esse filme pode não agradar a todos, pois, mesmo tendo uma duração reduzida, o ritmo é deliberadamente contemplativo. Para um público acostumado com o imediatismo das redes sociais ou com as animações frenéticas dos grandes estúdios, o ritmo pode ser um desafio para quem tem dificuldade de concentração.

Todavia, A Pequena Amélie consolida-se como uma excelente obra que não tem pressa de crescer, transitando em seu próprio tempo até chegar ao ponto final, assim como a vida.

A Pequena Amélie estreia em 12 de março nos cinemas.

Avaliação - 8/10

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