Crítica | Monarch: Legado de Monstros (2° Temporada) - Se consolida como uma peça essencial dentro do MonsterVerse justamente por fazer o que os filmes raramente fazem; olhar para o silêncio depois do rugido.
| Divulgação | Apple TV |
• Por Alisson Santos
A segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros confirma algo que já estava latente desde o início; o MonsterVerse pode ser muito mais interessante quando desacelera o caos para observar quem sobrevive a ele. Enquanto os filmes da franquia — de Godzilla a Godzilla vs. Kong — frequentemente abraçam o espetáculo como motor narrativo, a série insiste em caminhar na direção oposta. Aqui, os monstros não são apenas eventos; são consequências. E essa escolha continua sendo o maior trunfo da produção.
A nova temporada retoma diretamente os acontecimentos anteriores e amplia o escopo sem perder o foco. O conceito de Axis Mundi deixa de ser apenas uma ideia intrigante para se tornar um elemento central, quase espiritual, dentro da narrativa. É um território onde o tempo falha, a lógica se dobra e o próprio significado de “origem” ganha contornos mais inquietantes. A série acerta ao não transformar isso em exposição excessiva; há mistério suficiente para sustentar o fascínio, mas também clareza para manter o espectador envolvido.
Narrativamente, o grande ganho está na maturidade dos personagens. Cate, agora definitivamente no centro da história, deixa de ser apenas uma peça dentro de um quebra-cabeça maior e passa a conduzir a trama com suas decisões, dores e obsessões. Há um peso emocional mais evidente, especialmente quando a série conecta o surgimento de novas ameaças a conflitos pessoais — uma abordagem que evita cair no clichê do “monstro como desastre genérico”.
O elenco acompanha esse amadurecimento. A dinâmica entre as duas versões de Lee Shaw, interpretadas por Kurt Russell e Wyatt Russell, continua sendo uma das ideias mais inteligentes da série. Existe uma sensação de continuidade rara, como se o personagem realmente atravessasse o tempo, e não apenas fosse reencenado em épocas diferentes. É um recurso que poderia soar como gimmick, mas aqui ganha densidade dramática.
Ao mesmo tempo, a introdução de uma nova ameaça — menos definida como vilã e mais como presença — reforça a proposta da série de tratar os Titãs como algo além da destruição. Diferente do espetáculo puro visto nos cinemas, essa criatura carrega implicações emocionais e simbólicas, ampliando o alcance da narrativa sem precisar recorrer a exageros fáceis.
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Isso não significa que a série abandone o espetáculo. Pelo contrário. Quando Godzilla e Kong aparecem, eles têm peso. Não são participações vazias ou fan service gratuito — suas presenças alteram o rumo da história. A escala continua impressionante, especialmente nas sequências envolvendo ambientes aquáticos, onde a sensação de profundidade e perigo é palpável.
Tecnicamente, a temporada eleva o padrão. Os efeitos visuais são mais refinados, o design de som é mais agressivo e a direção entende melhor como construir tensão sem depender exclusivamente da destruição. Existe um cuidado maior em dar fisicalidade aos monstros, fazendo com que cada aparição carregue impacto real.
Ainda assim, a série não escapa completamente de alguns problemas. O ritmo, em determinados momentos, oscila entre a contemplação e a demora excessiva, e certas tramas paralelas parecem menos desenvolvidas do que deveriam. Há também uma dependência ocasional de estruturas já conhecidas do gênero, especialmente quando envolve conspirações corporativas.
Mas nada disso compromete o todo. No fim, a segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros se consolida como uma peça essencial dentro do MonsterVerse justamente por fazer o que os filmes raramente fazem; olhar para o silêncio depois do rugido. É nesse espaço — entre ruínas, segredos e relações quebradas — que a série encontra sua verdadeira força. Porque, no fundo, não se trata apenas de monstros existirem. Trata-se de como o mundo muda depois que descobrimos que eles sempre estiveram lá.
A segunda temporada completa de Monarch: Legado de Monstros está disponível no Apple TV.
Avaliação - 7/10
Uma coisa sensacional são os efeitos visuais dessa série, coisa fina.
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