Emicida estreia turnê inspirada nos Racionais MC’s em São Paulo e propõe experiência “transcendental” no palco

Divulgação | @bmaisca

• Por Bruno Lima 

A noite desta quinta-feira (30) marcou o início de uma nova fase na carreira de Emicida. No Espaço Unimed, o artista apresentou ao público a turnê Emicida Racional MCMV, um espetáculo que não apenas revisita suas influências, mas também reposiciona seu próprio entendimento sobre o rap. Inspirado diretamente na obra dos Racionais MC's, o show transforma o palco em um território de memória, reinvenção e intensidade emocional.

A capital paulista ainda recebe uma segunda apresentação nesta sexta-feira (1º), com participações especiais de nomes como Rashid, Projota, Jotapê e a dupla Prettos. Para quem ainda pretende conferir, os ingressos seguem disponíveis na Eventim, com valores que variam entre R$ 92,50 e R$ 465.

Mais do que um simples show, a turnê nasce de um conceito ambicioso. Racional MCMV carrega um simbolismo que cruza ciência, história e música. O título funciona como um acrônimo do álbum e faz referência ao ano de 1905 em algarismos romanos — período em que Albert Einstein apresentou ao mundo a Teoria da Relatividade. A ideia, segundo Emicida, é provocar uma experiência em que tempo e espaço deixam de ser fixos e passam a ser moldados pela percepção do público.

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Essa proposta conceitual se reflete diretamente na performance. O artista descreve o espetáculo como uma tentativa de elevar o “rep” — grafado com E, em referência a “ritmo e poesia” — a um novo patamar. A intenção não é apenas entreter, mas criar uma conexão sensorial que ultrapasse o palco e transforme a energia do estúdio em algo expansivo, quase físico, diante da plateia.

O projeto também está profundamente ligado ao momento pessoal vivido pelo rapper. O álbum Mesmas Cores & Mesmos Valores representa seu primeiro trabalho de estúdio desde o aclamado AmarElo (2019) e surge em meio a um período de luto e mudanças. A morte de sua mãe, Dona Jacira, em julho de 2025, e o rompimento profissional com seu irmão, Evandro Fióti, atravessam o disco de forma visceral.

Essa carga emocional se traduz em uma sonoridade mais crua, que dialoga diretamente com as raízes do artista. Ao olhar para trás — especialmente para a influência dos Racionais — Emicida não busca nostalgia, mas reconexão. O resultado é um trabalho que revisita a essência das primeiras mixtapes enquanto aponta para um novo estágio de maturidade artística.

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