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Poucas histórias exerceram tanta influência sobre a cultura ocidental quanto A Odisseia, poema épico atribuído ao poeta grego Homero. Composto provavelmente entre os séculos VIII e VII a.C., o texto acompanha o difícil retorno de Odisseu — chamado de Ulisses na tradição latina — à ilha de Ítaca depois da Guerra de Troia.
Embora seja frequentemente lembrada como uma aventura repleta de monstros, deuses, batalhas e lugares fantásticos, A Odisseia é também uma reflexão profunda sobre identidade, memória, inteligência, família, poder, hospitalidade e pertencimento. O verdadeiro objetivo de Odisseu não é conquistar um novo território, mas recuperar o lugar que já era seu; sua casa, seu reino, sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco.
A narrativa é dividida em 24 cantos e não começa no início da viagem. Quando o poema se abre, Odisseu já está longe de Ítaca há aproximadamente vinte anos; dez passados na Guerra de Troia e outros dez tentando retornar. A construção não linear permite que Homero revele os acontecimentos aos poucos, alternando o presente da história, as lembranças do herói e os conflitos que se acumulam em Ítaca.
O CONTEXTO: O QUE ACONTECEU ANTES DE A ODISSEIA
Antes dos acontecimentos narrados no poema, Odisseu participou da Guerra de Troia, conflito contado principalmente em A Ilíada, também atribuída a Homero.
Odisseu era rei de Ítaca, marido de Penélope e pai de Telêmaco. Conhecido por sua inteligência e habilidade estratégica, ele teve papel decisivo na vitória dos gregos sobre os troianos. A tradição atribui a ele, inclusive, a criação do plano do Cavalo de Troia, por meio do qual soldados gregos entraram escondidos na cidade e conseguiram destruí-la.
Depois da queda de Troia, os combatentes gregos iniciaram o caminho de volta para casa. O retorno de Odisseu, entretanto, seria muito mais demorado e perigoso do que o esperado. O principal motivo é a ira de Poseidon, deus dos mares. Depois de cegar Polifemo, um ciclope que era filho de Poseidon, Odisseu passa a ser perseguido pelo deus, que cria tempestades e obstáculos para impedir sua chegada a Ítaca.
Ao mesmo tempo, a deusa Atena, associada à sabedoria e à estratégia, protege o herói. A oposição entre Poseidon e Atena simboliza dois dos grandes elementos da obra; de um lado, a força imprevisível da natureza; de outro, a inteligência humana usada para enfrentar situações aparentemente impossíveis.
A ESTRUTURA DA OBRA
A narrativa pode ser dividida em três grandes partes:
1. A Telemaquia, que acompanha Telêmaco em busca de notícias sobre o pai;
2. As viagens de Odisseu, nas quais o próprio herói relata suas aventuras;
3. O retorno a Ítaca, marcado pelo reconhecimento, pela vingança e pela recuperação do reino.
CANTO I: ÍTACA SEM ODISSEU
A história começa com uma reunião dos deuses no Olimpo. Poseidon está ausente, e Atena aproveita o momento para defender Odisseu diante de Zeus. Ela argumenta que o herói já sofreu o suficiente e merece retornar para casa.
Nesse momento, Odisseu está preso na ilha da ninfa Calipso, que o deseja como marido e oferece a ele imortalidade. Apesar disso, o herói sente saudade de Ítaca e deseja reencontrar Penélope.
Enquanto isso, a situação em sua casa se torna cada vez mais grave. Diversos homens, conhecidos como pretendentes, ocupam o palácio de Odisseu e disputam a mão de Penélope. Eles acreditam que o rei está morto e consomem os alimentos, os animais e as riquezas da família. Telêmaco, filho de Odisseu, ainda é jovem e não possui autoridade suficiente para expulsá-los.
Disfarçada como um visitante chamado Mentes, Atena conversa com Telêmaco e o incentiva a procurar informações sobre o pai. É o primeiro passo para o amadurecimento do personagem.
O QUE ESSE CANTO REPRESENTA?
O primeiro canto estabelece o conflito central em Ítaca. A ausência de Odisseu não é apenas familiar, mas também política. Sem o rei, a ordem do reino começa a desaparecer. Telêmaco também inicia sua transformação. No começo, ele é inseguro e passivo. Ao longo da narrativa, aprenderá a assumir responsabilidades e a defender sua casa.
| Tom Holland como Telêmaco na adaptação de Christopher Nolan |
CANTO II: TELÊMACO ENFRENTA OS PRETENDENTES
Telêmaco convoca uma assembleia dos habitantes de Ítaca. É a primeira reunião pública realizada desde a partida de Odisseu para Troia. Diante da população, ele denuncia o comportamento dos pretendentes e exige que deixem o palácio.
Os homens, porém, responsabilizam Penélope pela situação. Segundo eles, ela teria alimentado falsas esperanças ao afirmar que escolheria um novo marido depois de terminar uma mortalha para Laerte, pai de Odisseu. Penélope tecia durante o dia e desfazia o trabalho à noite, adiando a decisão. O plano funcionou durante três anos, até ser descoberto por uma serva.
Mesmo sem conseguir expulsar os pretendentes, Telêmaco demonstra coragem ao enfrentá-los publicamente. Com a ajuda de Atena, ele prepara uma viagem até Pilos e Esparta para procurar notícias sobre Odisseu.
O SIGNIFICADO DA MORTALHA DE PENÉLOPE
O tecido representa resistência, inteligência e controle do tempo. Penélope não possui força militar, mas utiliza a astúcia para proteger a casa e permanecer fiel ao marido.
Assim como Odisseu, ela sobrevive por meio da inteligência. Os dois formam um casal unido não apenas pelo amor, mas também pela capacidade de criar estratégias.
CANTO III: TELÊMACO ENCONTRA NESTOR
Telêmaco chega a Pilos, onde encontra Nestor, um dos mais respeitados líderes gregos da Guerra de Troia. Nestor conta que, depois da vitória, os comandantes gregos entraram em conflito sobre o momento correto de retornar. Alguns partiram imediatamente, enquanto outros permaneceram para realizar sacrifícios aos deuses.
Nestor não possui informações precisas sobre Odisseu, mas fala sobre o destino de outros guerreiros. Ele também elogia a inteligência do rei de Ítaca. O velho líder aconselha Telêmaco a seguir viagem até Esparta, onde poderá conversar com Menelau.
A FUNÇÃO DE NESTOR
Nestor representa a memória da geração que lutou em Troia. Por meio de seus relatos, Telêmaco conhece melhor o pai e compreende a importância de preservar a reputação da família.
CANTO IV: MENELAU E HELENA FALAM SOBRE ODISSEU
Em Esparta, Telêmaco é recebido por Menelau e Helena.
Menelau conta que soube, por meio do deus marinho Proteu, que Odisseu ainda estava vivo, mas preso na ilha de Calipso. Helena também recorda episódios da Guerra de Troia e elogia a capacidade de Odisseu de assumir disfarces e enganar os inimigos. Enquanto Telêmaco recebe notícias do pai, os pretendentes descobrem sua viagem e planejam matá-lo quando ele retornar a Ítaca.
ODISSEU COMO HOMEM DE MUITAS IDENTIDADES
Os relatos de Helena reforçam uma característica fundamental do herói; sua capacidade de esconder quem é. Ao longo do poema, Odisseu muda de nome, aparência e comportamento diversas vezes. Esses disfarces não são simples truques, mas instrumentos de sobrevivência.
| Matt Damon como Odisseu na adaptação de Christopher Nolan |
CANTO V: ODISSEU DEIXA A ILHA DE CALIPSO
Os deuses finalmente decidem que Odisseu deve ser libertado. Hermes é enviado à ilha de Calipso para transmitir a ordem de Zeus. A ninfa se revolta com a decisão, mas aceita libertar o herói. Ela o ajuda a construir uma embarcação e fornece alimentos e roupas para a viagem.
Odisseu parte, mas Poseidon percebe sua fuga e provoca uma tempestade. A jangada é destruída, e o herói quase morre afogado. Com a ajuda da deusa marinha Leucoteia e da proteção de Atena, ele consegue chegar à terra dos feácios.
POR QUE ODISSEU REJEITA A IMORTALIDADE?
Calipso oferece ao herói vida eterna e juventude permanente. Mesmo assim, ele prefere retornar para Penélope. Essa escolha mostra que Odisseu valoriza sua identidade humana. Ele aceita o envelhecimento e a morte porque entende que sua existência só possui sentido ligada à sua família, à sua história e à sua terra.
CANTO VI: O ENCONTRO COM NAUSÍCAA
Exausto e sem roupas, Odisseu dorme perto de um rio. Atena aparece em sonho para Nausícaa, filha do rei dos feácios, e a orienta a ir até o local. A princesa encontra Odisseu e, apesar do susto inicial, oferece roupas, comida e orientações para que ele procure o palácio. Odisseu se comporta com prudência. Em vez de tocar os joelhos da jovem, gesto tradicional de súplica, ele mantém distância e utiliza palavras respeitosas para pedir ajuda.
A IMPORTÂNCIA DE NAUSÍCAA
Nausícaa representa hospitalidade, juventude e pureza. O encontro também mostra como Odisseu sabe controlar seus impulsos e adaptar seu comportamento às circunstâncias.
CANTO VII: ODISSEU CHEGA AO PALÁCIO DOS FEÁCIOS
Odisseu entra no palácio do rei Alcínoo e da rainha Arete. Protegido por Atena, aproxima-se da rainha e pede ajuda para voltar à sua terra. Os feácios recebem o estrangeiro conforme as regras da hospitalidade grega. Primeiro oferecem comida e abrigo; apenas depois perguntam sua identidade. Alcínoo promete fornecer um navio para levar Odisseu de volta para casa.
A HOSPITALIDADE COMO VALOR CENTRAL
Na cultura grega antiga, a hospitalidade, conhecida como xenia, era uma obrigação religiosa e social. O tratamento dado aos estrangeiros funcionava como medida moral dos personagens. Os feácios recebem Odisseu com generosidade, enquanto Polifemo e os pretendentes violam as regras da hospitalidade.
CANTO VIII: OS JOGOS E AS CANÇÕES SOBRE TROIA
Os feácios organizam competições esportivas em homenagem ao visitante. Inicialmente, Odisseu evita participar, mas reage depois de ser provocado por um jovem. Ele demonstra sua força ao lançar um disco muito além das marcas dos outros competidores. Durante o banquete, o poeta Demódoco canta episódios da Guerra de Troia. Ao ouvir as canções, Odisseu chora. Alcínoo percebe sua emoção e pergunta quem ele realmente é.
A RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E SOFRIMENTO
As canções preservam a glória dos heróis, mas também despertam dor. Para os ouvintes, a Guerra de Troia é uma história grandiosa; para Odisseu, é uma experiência traumática. O poema mostra que a fama heroica possui um preço humano.
| O episódio do "Cavalo de Troia" na adaptação |
CANTO IX: ODISSEU REVELA SUA IDENTIDADE E CONTA SUAS AVENTURAS
Odisseu finalmente se apresenta: “Sou Odisseu, filho de Laerte.”
A partir desse momento, ele começa a narrar as aventuras vividas desde sua saída de Troia.
OS CÍCONES
O primeiro local visitado é Ismaro, cidade dos cícones. Odisseu e seus homens atacam o território e recolhem riquezas. Odisseu recomenda uma retirada rápida, mas os soldados permanecem no local para festejar. Os cícones recebem reforços e contra-atacam, matando vários gregos. O episódio demonstra que a imprudência e a indisciplina dos companheiros contribuem para os desastres da viagem.
OS LOTÓFAGOS
Depois de uma tempestade, os viajantes chegam à terra dos lotófagos. Os habitantes oferecem aos homens o fruto de lótus. Quem come o alimento perde o desejo de retornar para casa. Odisseu precisa arrastar seus companheiros de volta ao navio. O lótus simboliza o esquecimento. O perigo não é a morte, mas a perda do objetivo e da própria identidade.
POLIFEMO, O CICLOPE
Odisseu e seus homens entram na caverna de Polifemo, um ciclope gigantesco. O monstro bloqueia a saída e devora alguns dos gregos. Para escapar, Odisseu cria um plano. Primeiro, oferece vinho ao ciclope e diz que seu nome é “Ninguém”. Quando Polifemo adormece, os homens perfuram seu único olho com uma estaca.
Ao gritar por ajuda, o ciclope afirma que “Ninguém” está atacando. Os outros ciclopes acreditam que não existe perigo e vão embora. Odisseu e seus homens escapam escondidos sob o corpo de carneiros. No entanto, ao se afastar da ilha, Odisseu comete um erro; revela seu verdadeiro nome para se vangloriar. Polifemo, então, pede a Poseidon que castigue o herói.
O PRINCIPAL ERRO DE ODISSEU
A estratégia contra Polifemo mostra a genialidade do herói. A revelação de seu nome, porém, demonstra orgulho excessivo. Essa vaidade, chamada pelos gregos de hýbris, provoca a perseguição de Poseidon e prolonga a viagem.
CANTO X: ÉOLO, OS LESTRIGÕES E CIRCE
ÉOLO E O SACO DOS VENTOS
Odisseu chega à ilha de Éolo, senhor dos ventos. Éolo entrega ao herói um saco contendo todos os ventos desfavoráveis, deixando livre apenas aquele que poderia conduzir o navio até Ítaca.
Quando a terra natal já está próxima, Odisseu adormece. Seus companheiros, acreditando que o saco contém riquezas, abrem-no. Os ventos escapam e empurram os navios de volta para o mar. Éolo se recusa a ajudar novamente, convencido de que Odisseu é perseguido pelos deuses.
OS LESTRIGÕES
Os viajantes chegam à terra dos lestrigões, gigantes canibais. Eles atacam os navios com pedras e destroem quase toda a frota. Apenas a embarcação de Odisseu consegue escapar.
CIRCE
Os sobreviventes chegam à ilha da feiticeira Circe. Ela transforma parte dos homens em porcos. Com a ajuda de Hermes, Odisseu recebe uma erva capaz de protegê-lo da magia. Ele enfrenta Circe e exige que seus companheiros recuperem a forma humana. Depois do conflito, Odisseu e seus homens permanecem na ilha durante um ano. Circe informa que, antes de seguir viagem, o herói precisará entrar no mundo dos mortos e consultar o adivinho Tirésias.
CANTO XI: A DESCIDA AO MUNDO DOS MORTOS
Odisseu realiza um ritual e entra em contato com as almas dos mortos.
O adivinho Tirésias explica que o herói poderá retornar a Ítaca, mas deverá evitar qualquer ataque ao rebanho do deus Hélio. Tirésias também prevê que Odisseu encontrará sua casa ocupada por homens violentos e que precisará puni-los.
O herói conversa com a mãe, Anticleia, que morreu de tristeza durante sua ausência. Ela conta o sofrimento de Penélope, Telêmaco e Laerte. Odisseu também encontra guerreiros mortos em Troia, entre eles Agamêmnon, Aquiles e Ájax.
Agamêmnon relata que foi assassinado pela esposa Clitemnestra e pelo amante dela ao retornar para casa. O episódio cria um contraste com Penélope, que permanece fiel a Odisseu. Aquiles, por sua vez, declara que preferiria estar vivo como um trabalhador pobre a reinar sobre os mortos. A fala questiona diretamente a ideia tradicional de glória heroica.
O SIGNIFICADO DA DESCIDA
A visita ao mundo dos mortos é uma viagem ao passado. Odisseu precisa confrontar perdas, culpas e lembranças antes de seguir em direção ao futuro. Também é nesse momento que ele compreende com maior clareza as consequências humanas da guerra.
CANTO XII: AS SEREIAS, CILA, CARÍBDIS E O GADO DE HÉLIO
AS SEREIAS
Circe avisa Odisseu sobre as sereias, criaturas cujo canto atrai marinheiros para a morte. Odisseu deseja ouvir a canção. Por isso, manda os companheiros taparem os ouvidos com cera e ordena que o amarrem ao mastro. Mesmo implorando para ser libertado, permanece preso até que o navio atravesse a região. A cena demonstra tanto curiosidade quanto autocontrole. Odisseu reconhece que não conseguirá resistir sozinho e cria uma regra capaz de protegê-lo de seus próprios desejos.
CILA E CARÍBDIS
O navio precisa passar por um estreito entre dois perigos. De um lado está Cila, monstro de seis cabeças que devora marinheiros. Do outro está Caríbdis, um redemoinho capaz de engolir toda a embarcação. Odisseu escolhe passar perto de Cila, sacrificando seis homens para salvar o restante da tripulação. O episódio representa uma decisão trágica; não existe uma opção totalmente segura, apenas a escolha do mal menor.
O GADO DE HÉLIO
Os homens chegam à ilha onde vive o rebanho sagrado de Hélio. Odisseu proíbe qualquer ataque aos animais. Uma tempestade impede a partida por vários dias. Quando os alimentos terminam, os companheiros matam o gado enquanto Odisseu dorme. Como punição, Zeus destrói o navio com um raio. Todos morrem, exceto Odisseu. Depois de sobreviver novamente a Caríbdis, ele chega à ilha de Calipso, onde permanece durante anos.
CANTO XIII: O RETORNO A ÍTACA
Depois de ouvir a história, os feácios conduzem Odisseu até Ítaca enquanto ele dorme. Ao acordar, o herói inicialmente não reconhece a ilha. Atena aparece disfarçada e o informa sobre a situação no palácio.
A deusa transforma Odisseu em um mendigo envelhecido, permitindo que ele observe seus inimigos sem ser reconhecido. O primeiro passo do retorno não é recuperar o trono, mas investigar quem ainda é fiel.
POR QUE ODISSEU NÃO REVELA IMEDIATAMENTE SUA IDENTIDADE?
A prudência continua sendo a principal arma do herói. Ele entende que revelar sua presença antes da hora poderia provocar sua morte. O retorno depende de planejamento, paciência e capacidade de interpretar o comportamento das pessoas.
| Atena (Zendaya) e Odisseu (Matt Damon) |
CANTO XIV: O ENCONTRO COM EUMEU
Disfarçado, Odisseu procura o porqueiro Eumeu, um servo fiel.
Sem reconhecer o mestre, Eumeu recebe o mendigo com generosidade. Ele oferece alimento e abrigo, além de demonstrar tristeza pela ausência de Odisseu. O herói conta uma história falsa sobre sua origem e afirma ter notícias do rei desaparecido. Eumeu, entretanto, não acredita.
A IMPORTÂNCIA DE EUMEU
Eumeu demonstra que nobreza não depende de posição social. Embora seja um servo, comporta-se com mais honra do que os homens aristocráticos que ocupam o palácio.
CANTO XV: TELÊMACO RETORNA A ÍTACA
Atena aparece para Telêmaco e ordena que ele deixe Esparta. Ela também avisa sobre a emboscada preparada pelos pretendentes. Telêmaco consegue evitar o ataque e retorna em segurança. No caminho, ele recebe o adivinho Teoclímeno, que interpreta sinais favoráveis ao retorno de Odisseu.
CANTO XVI: PAI E FILHO SE REENCONTRAM
Telêmaco chega à casa de Eumeu.
Atena devolve temporariamente a aparência real de Odisseu. Telêmaco inicialmente acredita estar diante de um deus, mas o herói revela que é seu pai.
Depois de vinte anos, os dois se abraçam e choram.
Odisseu e Telêmaco começam a planejar a morte dos pretendentes. A estratégia envolve retirar as armas do salão e descobrir quais servos permanecem leais.
O AMADURECIMENTO DE TELÊMACO
O reencontro marca o fim da infância simbólica de Telêmaco. Ele deixa de ser apenas o filho que espera pelo pai e passa a atuar como aliado de Odisseu.
CANTO XVII: ODISSEU ENTRA NO PALÁCIO
Ainda disfarçado de mendigo, Odisseu segue para o palácio.
No caminho, encontra o pastor de cabras Melântio, que o insulta e agride. O comportamento revela a deslealdade do servo. Ao chegar, Odisseu encontra seu velho cão, Argos. O animal, abandonado e debilitado, reconhece imediatamente o dono. Depois de vê-lo pela última vez, morre.
A cena de Argos é uma das mais emocionantes da obra. O cão reconhece Odisseu mesmo quando os seres humanos não conseguem identificá-lo. Dentro do palácio, Odisseu pede comida aos pretendentes. Antínoo, o mais violento deles, atira um objeto contra o mendigo.
ARGOS E A DECADÊNCIA DE ÍTACA
A condição do cão reflete a situação do reino. Durante a ausência do rei, aquilo que antes era cuidado e organizado foi abandonado.
CANTO XVIII: O COMBATE ENTRE OS MENDIGOS
Odisseu é provocado por Iro, outro mendigo que frequenta o palácio. Os pretendentes organizam uma luta entre os dois como forma de diversão.
Odisseu derrota Iro com facilidade, mas controla sua força para não revelar a identidade.
Penélope aparece diante dos pretendentes e consegue convencê-los a oferecer presentes. Mesmo cercada por homens que tentam controlar seu futuro, ela utiliza a inteligência para inverter a situação.
CANTO XIX: ODISSEU CONVERSA COM PENÉLOPE
Odisseu, ainda disfarçado, conversa longamente com a esposa.
Ele cria uma história falsa e afirma ter conhecido Odisseu. Penélope fala sobre a saudade do marido e sobre a pressão para escolher um novo casamento.
A criada Euricleia lava os pés do mendigo e reconhece uma cicatriz na perna de Odisseu, provocada por um javali durante sua juventude.
O herói impede que ela revele o segredo.
Penélope anuncia que organizará uma competição. O vencedor será o homem capaz de armar o arco de Odisseu e lançar uma flecha através de doze machados alinhados.
| Anne Hathaway como Penélope |
A CICATRIZ COMO PROVA DE IDENTIDADE
Os disfarces podem mudar a aparência de Odisseu, mas a cicatriz preserva sua história. Ela representa uma marca física do passado e funciona como prova de que, apesar das transformações, o herói continua sendo a mesma pessoa.
CANTO XX: A PREPARAÇÃO PARA A VINGANÇA
Odisseu passa a noite no palácio e precisa controlar a raiva ao observar o comportamento dos pretendentes e dos servos desleais.
Zeus envia sinais que indicam a proximidade da vingança. Os pretendentes continuam zombando do mendigo, sem perceber que estão diante do homem cuja casa invadiram. A tensão aumenta, e o poema prepara o confronto final.
CANTO XXI: A PROVA DO ARCO
Penélope apresenta o arco de Odisseu e explica as regras da competição.
Um por um, os pretendentes tentam armar a arma, mas nenhum consegue. O mendigo pede autorização para participar. Os pretendentes protestam, mas Telêmaco permite.
Odisseu segura o arco e o arma sem dificuldade. Em seguida, dispara uma flecha que atravessa os doze machados. O gesto confirma sua verdadeira identidade.
O SIGNIFICADO DO ARCO
O arco representa autoridade, força e legitimidade. Não basta ocupar o palácio ou desejar Penélope; apenas Odisseu possui a capacidade de controlar a arma. A prova demonstra que o rei não foi substituído.
CANTO XXII: A MORTE DOS PRETENDENTES
Depois de vencer a prova, Odisseu aponta o arco para Antínoo e o mata. Em seguida, revela sua identidade.
Os pretendentes tentam negociar, mas Odisseu rejeita qualquer acordo. Com a ajuda de Telêmaco, Eumeu, Filetio e Atena, ele inicia o combate. Melântio consegue buscar armas para os pretendentes, mas é capturado. Ao final, todos os invasores são mortos. Os servos considerados desleais também são punidos.
A VINGANÇA É JUSTIÇA OU EXCESSO?
Dentro dos valores da sociedade representada no poema, a morte dos pretendentes funciona como restauração da ordem. Eles violaram a hospitalidade, consumiram as riquezas de Odisseu, pressionaram Penélope e planejaram matar Telêmaco. Para leitores contemporâneos, entretanto, a violência da punição pode parecer extrema. Essa tensão revela a distância entre os valores do mundo homérico e as sensibilidades atuais.
| Robert Pattinson como Antínoo |
CANTO XXIII: O REENCONTRO COM PENÉLOPE
Euricleia conta a Penélope que Odisseu retornou e matou os pretendentes. Penélope, porém, não aceita imediatamente a notícia. Depois de tantos anos, ela teme estar diante de um impostor.
Para testá-lo, ordena que uma criada retire a cama do casal do quarto. Odisseu reage, afirmando que a cama não pode ser movida. Ele próprio a construiu em torno do tronco de uma oliveira enraizada no solo. Apenas Odisseu e Penélope conheciam esse segredo. Ao ouvir a resposta, Penélope reconhece o marido. Os dois finalmente se abraçam.
A CAMA DE ODISSEU E PENÉLOPE
A cama representa a solidez do casamento. Construída em torno de uma árvore viva, ela está literalmente enraizada na casa. O objeto simboliza estabilidade, intimidade e permanência. Depois de anos de distância, o casal ainda compartilha um conhecimento que ninguém mais possui. Penélope também prova que é tão prudente quanto Odisseu. Ela não se deixa enganar pela aparência e exige uma evidência verdadeira.
CANTO XXIV: O REENCONTRO COM LAERTE E A RESTAURAÇÃO DA PAZ
As almas dos pretendentes chegam ao mundo dos mortos. Enquanto isso, Odisseu visita o pai, Laerte, que vive afastado e sofre com a ausência do filho.
Mais uma vez, Odisseu inicialmente utiliza um disfarce verbal, mas depois revela sua identidade. Para provar quem é, mostra a cicatriz e recorda as árvores que recebeu do pai durante a infância. As famílias dos pretendentes mortos organizam uma revolta. Odisseu, Telêmaco e Laerte se preparam para lutar. Atena intervém e, com a autorização de Zeus, estabelece a paz em Ítaca.
O ENCERRAMENTO DA OBRA
O poema não termina apenas com o retorno de Odisseu, mas com a reconstrução da ordem social. Recuperar a casa não significa somente reencontrar Penélope. Odisseu precisa restaurar a relação entre as gerações — Laerte, Odisseu e Telêmaco — e garantir estabilidade ao reino.
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