50ª Mostra de São Paulo reúne premiados de Cannes, Veneza e Berlim, homenagens e grandes nomes do cinema
| Divulgação | Mostra de São Paulo |
• Por Alisson Santos
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega à sua edição histórica entre os dias 15 e 29 de outubro com uma programação que celebra cinco décadas de cinema e reúne 380 títulos, entre longas, curtas e séries, provenientes de 93 países. As obras serão exibidas em 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital paulista, em uma edição marcada pela presença de importantes nomes do cinema mundial, filmes premiados nos principais festivais internacionais e uma série de atividades especiais.
Um dos grandes acontecimentos da edição é a abertura, marcada para 14 de outubro, na Sala São Paulo, com Tigre de Papel, novo filme de James Gray, exibido em competição no Festival de Cannes. O diretor estará presente na sessão, que também terá a estreia brasileira de Sul de Teerã, curta de Kleber Mendonça Filho. A produção acompanha Jafar Panahi durante uma passagem por Nova York e aborda cinema, memória e a perseguição sofrida pelo cineasta iraniano.
James Gray também é um dos principais homenageados da 50ª Mostra. Além de assinar o cartaz da edição, o cineasta terá uma retrospectiva com filmes como Fuga para Odessa, Caminho sem Volta, Os Donos da Noite e Era uma Vez em Nova York. No dia 15 de outubro, Gray participa de uma conversa com Walter Salles após a exibição de Tigre de Papel, ocasião em que recebe o Prêmio Leon Cakoff.
O Prêmio Leon Cakoff também será entregue ao produtor português Paulo Branco e ao diretor indiano S.S. Rajamouli. Branco, responsável por mais de 300 produções ao longo da carreira, ganha uma seleção especial de filmes produzidos por ele, enquanto Rajamouli participa de uma sessão especial de RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, vencedor do Oscar de melhor canção original. A exibição representa uma oportunidade de assistir ao longa na tela grande no Brasil, já que o filme chegou ao país diretamente pelo streaming. Após a sessão, o diretor conversa com o público.
A seleção internacional também reúne uma expressiva quantidade de filmes premiados. Entre os destaques estão Fjord, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro e do prêmio FIPRESCI em Cannes, e Mulher Desconhecida, de May el-Toukhy, vencedor do Leão de Ouro em Veneza. Também chegam da competição veneziana Amor Possível, de Lee Chang-dong, vencedor do Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri, além de Um Dia na Vida de Jo: Capítulo Fedra, A Casa do Vento e Às Vezes Sinto Tristeza, Outras Vezes Revolta, todos reconhecidos em diferentes categorias do festival.
Cannes também aparece com força na programação. Além de Fjord, a Mostra apresenta títulos como Minotauro, de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Grande Prêmio do Júri; A Terra do Meu Pai, de Pawel Pawlikowski; O Sentido da Vida, de Ryûsuke Hamaguchi; A Aventura Sonhada, de Valeska Grisebach; Everytime, de Sandra Wollner; Iron Boy, de Louis Clichy; e Eu Vejo Edifícios Caírem como Raios, de Clio Barnard. Também estão na seleção filmes como O Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen, estrelado por Javier Bardem, e La Libertad Doble, de Lisandro Alonso.
A programação ainda atravessa outros importantes festivais, incluindo Berlim, Locarno, Roterdã, Annecy e Sundance. Entre os títulos selecionados estão Yo (O Amor É um Pássaro Rebelde), Crônicas do Cerco, Quem Matou Narciso?, Feito Pipa, Aqui Não É o Seu Lugar, A Margem do Rio, Variações Sobre um Tema e A Violinista, mostrando a amplitude da seleção internacional da edição comemorativa.
O cinema brasileiro ganha espaço significativo com mais de 70 obras nacionais na programação. Entre os destaques estão o já citado Feito Pipa, premiado em Berlim, Guadalajara e Cartagena e escolhido pelo Brasil para representar o país na corrida pelo Oscar; London, vencedor do Leão Queer em Veneza; A Margem do Rio, premiado em Locarno; Funk, reconhecido no Festival de Tribeca, Vicentina Pede Desculpas e Pequenas Tragédias. Também estão na seleção produções exibidas em Berlim, Roterdã, Toronto, San Sebastián, Annecy, Toulouse e outros festivais internacionais.
A Mostra Brasil ainda apresenta uma série de documentários dedicados a personalidades brasileiras. Entre eles estão 100 Dias, de Carlos Saldanha, sobre Amyr Klink; Alucinação, sobre Belchior; Cansei de Ser Galã, sobre Claudio Marzo; Elza, de Eryk Rocha; A Extraordinária Vida de Vera Valdez; Fernanda, sobre Fernanda Montenegro; Ney por Trás das Máscaras, sobre Ney Matogrosso; e Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?, sobre Chorão.
Entre os convidados internacionais, a edição também recebe Boots Riley, que apresenta I Love Boosters, conversa com o público e integra o júri da Competição Novos Diretores. O júri conta ainda com Ali Asgari, César Augusto Acevedo e Laís Bodanzky.
As celebrações dos 50 anos extrapolam as salas de cinema. No Solar Fábio Prado, a exposição Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, concebida por Daniela Thomas, revisita a história do festival. Já o MIS recebe STEPS – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami, com 60 imagens em preto e branco registradas pelo cineasta. No dia 24 de outubro, o público poderá ainda assistir a Me Leve pra Casa e 24 Frames, seguidos de uma conversa entre Ahmad Kiarostami e Lisandro Alonso.
A edição também contará com o VI Encontro de Ideias Audiovisuais, entre 20 e 23 de outubro, reunindo debates, painéis e oportunidades de networking. Cerca de 70 eventos terão mais de 100 convidados do mercado audiovisual brasileiro e internacional. Entre os nomes confirmados estão Tamara Tatishvili, do Hubert Bals Fund; Mariëtte Rissenbeek, ex-diretora executiva da Berlinale; Olivier Père, da Arte; e Eleni Tzialli, do Eye Filmmuseum de Amsterdã.
Para o público infantil e juvenil, a 3ª Mostrinha reúne 21 filmes de 20 países, sendo 13 animações e 16 títulos inéditos no Brasil. A seleção aborda temas como infância, identidade, família, amizade, meio ambiente, desigualdade, diversidade e convivência com as diferenças. Dez produções têm participação brasileira e nove são dirigidas ou codirigidas por mulheres. A abertura será com Clarice Vê Estrelas, de Letícia Pires, em estreia mundial.
A programação ainda contempla retrospectivas, restaurações, realidade virtual, séries e sessões especiais. Entre os projetos restaurados estão Aurora, de F.W. Murnau, que terá acompanhamento ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica, além de obras de Salomão Scliar, Sandra Kogut, João Jardim, Walter Carvalho e Alexander Kluge. A Mostra também dedica espaço ao cineasta armênio-soviético Artavazd Pelechian e ao centenário de nascimento de Andrzej Wajda.
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