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• Por Alisson Santos
Direto do European Film Market (EFM) de Berlim 2026, um dos mercados cinematográficos mais influentes do mundo, chega um dos projetos que mais tem despertado curiosidade e expectativa entre distribuidores e profissionais do setor; CUDDLE, um drama em inglês dirigido pela cineasta brasileira Barbara Paz e protagonizado pelo consagrado Willem Dafoe.
Em um tempo em que a tecnologia aproximou virtualmente todas as pessoas, mas paradoxalmente aprofundou um vazio afetivo profundo, CUDDLE propõe uma reflexão sensível e urgente sobre a solidão, a intimidade e o valor do toque humano. A trama se desenrola em um futuro próximo onde o afeto sincero tornou-se escasso e muitas relações se tornaram transacionáveis — um cenário em que a carência emocional é praticamente uma pandemia.
Dafoe interpreta Dante, um “cuddler” profissional — termo que, no universo do filme, descreve alguém que oferece conforto físico e emocional através de toque platônico e escuta atenta a clientes que buscam, acima de tudo, conexão genuína. Seu personagem atua como uma espécie de terapeuta do abraço; uma figura que escuta, acompanha e oferece afeto num mundo onde gestos simples como um abraço ou um toque de mão tornaram-se raros e comercializados.
Segundo informações levantadas nas movimentações do mercado em Berlim e em reportagens especializadas, essa função que Dante exerce vai muito além de uma simples prestação de serviço. Ele cruza com uma variedade de pessoas — desde as emocionalmente sobrecarregadas até aquelas que perderam há muito a capacidade de qualquer tipo de contato humano verdadeiro — e enfrenta seus próprios desafios internos, incluindo uma luta com vícios e uma profunda sensação de isolamento, contrastando com o calor que tenta transmitir aos outros.
O projeto marca mais um encontro criativo entre Barbara Paz e Dafoe. A cineasta, já premiada por trabalhos como o documentário Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, traz ao CUDDLE um olhar íntimo e reflexivo sobre as feridas contemporâneas da alma humana — especialmente aquelas que não são vistas, mas sentidas. Em declarações anteriores, Paz descreveu a obra como uma meditação sobre a “venda de afeto sem sexo” e a tentativa de resgatar a humanidade perdida em uma sociedade hiperconectada e emocionalmente desconectada.
Apresentado em Berlim no contexto do EFM — onde projetos audiovisuais buscam parcerias, vendas e distribuição global — CUDDLE já tem despertado interesse considerável entre agentes de vendas e potenciais distribuidores, sinalizando que o longa pode se tornar um dos discursos mais marcantes do cinema contemporâneo sobre a condição humana e as formas que encontramos para sobreviver à nossa própria solidão.
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