Clássico que mudou Hollywood, "Aurora" será exibido em restauração 4K com orquestra ao vivo na 50ª Mostra de SP
| Divulgação | Fox Film Corporation |
• Por Alisson Santos
Um dos filmes mais importantes da história do cinema ganhará uma apresentação especial na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Aurora (1927), clássico dirigido pelo cineasta alemão F.W. Murnau, será exibido em uma nova restauração em 4K, acompanhada ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica, que interpretará a trilha sonora original composta por Timothy Brock. As sessões acontecem nos dias 23 de outubro, às 20h, e 24 de outubro, às 11h, no Cultura Artística, na região da Consolação, em São Paulo.
A exibição representa uma oportunidade de redescobrir uma obra que ajudou a transformar a linguagem cinematográfica e influenciou gerações de realizadores. Primeiro longa-metragem de Murnau em Hollywood, após o reconhecimento conquistado com produções como "Nosferatu" (1922), Aurora permanece como uma referência pelo uso expressivo da câmera, pela construção visual e pela capacidade de transmitir emoções sem depender de diálogos.
A trama acompanha um fazendeiro que se envolve com uma mulher da cidade grande durante as férias dela no interior. Fascinada por ele, a visitante tenta convencê-lo a assassinar a própria esposa para que os dois possam ficar juntos. A partir dessa premissa, Murnau constrói um drama sobre desejo, culpa, arrependimento e perdão, explorando a força das imagens e das interpretações de George O’Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston.
Embora não tenha alcançado o sucesso comercial esperado em seu lançamento, o filme conquistou reconhecimento duradouro por suas inovações técnicas e artísticas. Sua influência se estendeu a nomes fundamentais de Hollywood, como John Ford, Howard Hawks e Raoul Walsh, consolidando a produção como um marco na evolução do cinema narrativo.
O prestígio de Aurora também chegou à história do Oscar. Na primeira cerimônia da Academia, realizada em 1929, o longa recebeu três estatuetas: melhor fotografia, para Charles Rosher e Karl Struss; melhor atriz, para Janet Gaynor; e melhor filme único e artístico. Esta última categoria foi concedida apenas naquela edição, tornando a vitória uma curiosidade singular na trajetória da premiação.
A produção também ocupa uma posição particular na transição entre o cinema mudo e o sonoro. Nos Estados Unidos, foi lançada em versões diferentes, incluindo uma apresentação com efeitos e trilha sincronizados, mas sem diálogos falados. Sua chegada às telas ocorreu no mesmo período de "O Cantor de Jazz", filme frequentemente associado à popularização do som sincronizado no cinema, em uma época de profundas transformações na indústria cinematográfica.
A história da preservação de Aurora torna a nova restauração ainda mais significativa. Em 1937, o negativo original foi destruído em um incêndio nos estúdios da Fox. A sobrevivência do clássico só foi possível graças a cópias preservadas em diferentes partes do mundo, que permitiram reconstruir o material ao longo das décadas.
Liderado pela San Francisco Film Preserve, o projeto de restauração em 4K reuniu materiais fornecidos por instituições como o BFI National Archive, o Museum of Modern Art, a Cinémathèque royale de Belgique e o George Eastman Museum. O trabalho contou com financiamento da Sunrise Foundation for Education and the Arts e apoio adicional do programa SFFP Preservation Partner.
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