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• Por Alisson Santos
Nem todo ano no cinema pode ser resumido apenas pelos lançamentos que chegaram às salas brasileiras ou aos catálogos de streaming. Em 2025, grande parte da minha experiência cinematográfica veio de sessões em festivais, mostras e exibições antecipadas de imprensa, onde o risco criativo costuma falar mais alto do que o apelo comercial. Muitos dos filmes que mais me impactaram sequer estrearam oficialmente no Brasil — alguns ainda seguem sem data prevista, outros talvez nunca cheguem ao circuito tradicional.
Essa lista nasce justamente desse olhar atravessado pelo excesso de filmes vistos, por encontros inesperados com obras que desafiam gêneros, formatos e expectativas. Não é um ranking definitivo, nem um consenso, mas um recorte pessoal de um ano marcado por narrativas corajosas, desconfortáveis e emocionalmente intensas. São filmes que ficaram, que ecoaram depois da sessão e que ajudaram a definir o que 2025 representou para mim enquanto espectador e crítico de cinema.
1° No Other Choice
Eu amei No Other Choice porque ele transforma o horror em algo íntimo e reconhecível, mostrando como a violência pode nascer do desespero cotidiano. O filme me atingiu pela forma cruel com que expõe a falência emocional de um homem que confundiu sua identidade com o trabalho. Park Chan-wook abandona o espetáculo da violência para focar no desconforto moral, e isso torna tudo mais sufocante. A atuação de Lee Byung-hun é devastadora, cheia de humanidade partida e culpa silenciosa. É um filme que não choca pelo sangue, mas pela verdade amarga que deixa ecoando depois do fim.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 22 de janeiro.
2° Uma Batalha Após a Outra
Eu amei Uma Batalha Após a Outra porque ele transforma paranoia política em emoção íntima, sem jamais simplificar seus conflitos. O filme me arrebatou pela forma como Paul Thomas Anderson mistura épico e fragilidade humana, fazendo da paternidade um campo de batalha tão brutal quanto a ideologia. Há uma potência rara em ver o caos histórico refletido em relações quebradas, especialmente entre pai, mãe e filha. As atuações e a trilha criam uma sensação constante de urgência, como se o mundo estivesse sempre à beira do colapso. É um cinema que provoca, confunde e emociona ao mesmo tempo — e que permanece pulsando muito depois dos créditos finais.
Chega à HBO Max amanhã.
3° Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Eu me apaixonei por Hamnet porque ele entende que a dor não precisa ser explicada, apenas sentida. O filme me tocou profundamente ao colocar o luto materno no centro, com uma sensibilidade rara no cinema contemporâneo. Há uma honestidade brutal na forma como a perda infiltra cada gesto cotidiano, sem nunca virar espetáculo. A atuação de Jessie Buckley carrega um peso emocional que permanece em silêncio, nos olhares e nas ausências. É um filme que transforma sofrimento em memória viva e mostra que a arte nasce, muitas vezes, daquilo que jamais cicatriza.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 15 de janeiro.
4° A Natureza das Coisas Invisíveis
Eu amei o filme nacional A Natureza das Coisas Invisíveis porque ele confia no silêncio, no gesto e no olhar como formas legítimas de narrativa. É um filme que trata infância, luto e identidade com respeito raro, sem transformar dor em discurso. Sua força está na delicadeza e na coragem de existir sem explicar.
O filme está disponível nos cinemas.
5° Foi Apenas um Acidente
Foi Apenas um Acidente transforma indignação em reflexão, sem nunca ceder ao discurso fácil. Panahi constrói um suspense moral que incomoda mais pelas perguntas que levanta do que pelas respostas que nega. É um filme politicamente poderoso justamente por preservar a humanidade, até onde ela ainda é possível.
O filme está disponível nos cinemas.
6° Valor Sentimental
Gostei de Valor Sentimental porque Joachim Trier filma emoções que doem sem precisar elevá-las ao excesso. É um retrato honesto sobre famílias que não sabem se comunicar, mas seguem tentando existir umas nas outras. Um filme que machuca com delicadeza e permanece justamente por não oferecer conforto fácil.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 25 de dezembro.
7° O Agente Secreto
Adorei O Agente Secreto porque ele transforma a memória em tensão, fazendo da história um elemento vivo e inquietante. Kleber Mendonça Filho cria um cinema político que não grita, mas assombra, infiltrando o passado no presente. É um filme que envolve pela atmosfera, pela força simbólica e pela recusa ao esquecimento.
O filme está disponível nos cinemas.
8° Pecadores
Gostei de Pecadores porque ele mistura horror sobrenatural com uma profundidade cultural e emocional que vai além do terror. A história dos irmãos tentando recomeçar e enfrentando forças que simbolizam trauma e tradição me prendeu do início ao fim. A direção de Ryan Coogler e a performance de Michael B. Jordan dão ao filme uma energia intensa e original. E ainda por cima, a música e a atmosfera sulista criam uma experiência cinematográfica única.
O filme está disponível na HBO Max.
9° Sirât
Eu admiro Sirât porque ele transforma a experiência sensorial em travessia espiritual, usando som e espaço como linguagem. Oliver Laxe cria um cinema que não se assiste, se atravessa, equilibrando êxtase e exaustão. É um filme que incomoda, hipnotiza e exige entrega total do espectador.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 26 de fevereiro.
10° Bugonia
Bugonia transforma paranoia contemporânea em sátira cruel, sem oferecer conforto ou respostas fáceis. Yorgos Lanthimos expõe o delírio coletivo com humor ácido e inquietante lucidez. É um filme que diverte enquanto corrói, refletindo um mundo onde acreditar virou um ato violento.
O filme está disponível nos cinemas.
11° Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze
Lindo e espetacular. Chainsaw Man – O Filme: Arco da Reze transforma inocência em tragédia sem perder a beleza do caos. O conflito emocional de Denji é tão intenso quanto suas batalhas, tornando cada escolha dolorosa. É um filme que equilibra violência, romance e melancolia com rara sensibilidade.
O filme está disponível nas plataformas digitais de aluguel e compra.
12° Jovens Mães
Gostei de Jovens Mães porque ele olha para a maternidade precoce sem julgamento, apenas com escuta e humanidade. Os Dardenne transformam o cotidiano em dilema moral, encontrando dignidade onde o mundo só vê ruído. É um filme silencioso, duro e profundamente compassivo.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 1° de janeiro.
13° Sorry, Baby
Sorry, Baby entende o trauma como algo que não se resolve, apenas se carrega. Eva Victor transforma dor em humor torto e humanidade crua, sem jamais banalizar a ferida. É um filme delicado, desconfortável e profundamente honesto sobre continuar vivendo depois de algo ruim.
O filme está disponível nos cinemas.
14° Pai Mãe Irmã Irmão
Jim Jarmusch entende que as relações familiares vivem mais do que se cala do que do que se diz. É um filme sobre desconforto, afeto e solidão compartilhada, filmado com extrema delicadeza. Sua força está em transformar silêncios cotidianos em poesia profundamente humana.
O filme ainda não possui data de estreia no Brasil.
15° Faça Ela Voltar
Transforma o luto em terror psicológico genuíno, fazendo da dor um motor narrativo perturbador. Os irmãos Philippou constroem medo mais pelo desconforto emocional do que pelo susto fácil. É um filme que assusta justamente por mostrar como a perda pode se tornar obsessão.
O filme está disponível na HBO Max.
Menções honrosas: O Filho de Mil Homens, Sonhos de Trem, Águias da República, O Riso e a Faca, Família de Aluguel, Pipas, Predador: Assassino de Assassinos, Guerreiras do K-pop, Ne Zha 2, Oeste Outra Vez, A Hora do Mal, Vainilla, Frankenstein, A Memória do Cheiro das Coisas, Avatar: Fogo e Cinzas, Superman, Thunderbolts* e Zootopia 2.
A Natureza das Coisas Invisíveis ❤️
ResponderExcluirEu preciso muito ver o No Other Choice.
ResponderExcluirUma Batalha Após a Outra foi o meu favorito do ano.
ResponderExcluirLista excelente. Aqueles que eu vi e estão aí; são muito bons.
ResponderExcluirUma Batalha Após a Outra precisa ganhar o Oscar de Melhor Filme
ResponderExcluirQuero muito ver Hamnet, adoro o cinema da Chloe Zhao.
ResponderExcluirJá deixei vários salvos que me interessei
ResponderExcluirLista absurda de boa 👌
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