Crítica | Pânico 7 - Não é o desastre que alguns temiam, mas também não é a celebração que o aniversário de 30 anos merecia.
| Divulgação | Paramount Pictures |
• Por Alisson Santos
Há algo inegavelmente poético em ver Sidney Prescott novamente no centro da narrativa. Quase três décadas após atender aquele telefonema em Pânico, ela retorna em Pânico 7 não apenas como sobrevivente, mas como mãe, esposa e mulher que tenta construir uma identidade que não seja definida pelo horror. A imagem é poderosa. A execução, nem tanto.
Dirigido e roteirizado por Kevin Williamson, o criador do DNA original da franquia, o filme parecia destinado a ser um capítulo definitivo — uma obra que dialogasse com legado, trauma geracional e a espetacularização da violência. Em vez disso, o resultado é uma sequência excessivamente dependente da nostalgia, dramaticamente irregular e estruturalmente frágil.
A premissa é, sem dúvida, forte. Sidney, agora vivendo como Sidney Evans em Pine Grove, tenta manter a estabilidade ao lado de Mark (Joel McHale) enquanto protege a filha Tatum (Isabel May) do peso de um passado que o mundo insiste em transformar em entretenimento. A série fictícia Facada continua existindo como espelho distorcido da tragédia, mas, curiosamente, o filme quase não explora o potencial metalinguístico dessa dinâmica.
Quando Ghostface ressurge em Pine Grove, o conflito deveria soar inevitável e devastador. O paralelo entre mãe e filha — ambas com dezessete anos diante do primeiro massacre — é emocionalmente potente. E é justamente aí que o filme encontra seus melhores momentos; nas interações entre Sidney e Tatum. Campbell entrega uma performance marcada por cansaço e determinação; há uma densidade emocional genuína em sua tentativa de proteger a filha não apenas da faca, mas da herança simbólica da violência.
Isabel May responde à altura, construindo uma Tatum que oscila entre rebeldia adolescente e medo silencioso. A química entre as duas sustenta o filme por longos trechos. Sempre que a narrativa se concentra nessa relação, Pânico 7 sugere que poderia ter sido uma obra madura sobre trauma e legado. Mas a promessa raramente se cumpre.
O roteiro incha a trama com personagens descartáveis — Chloe, Hannah, Ben, Lucas — que existem mais como engrenagens de suspeita do que como seres humanos. O suspense, portanto, torna-se mecânico. Sem investimento emocional, as mortes perdem impacto. E embora o filme aposte numa brutalidade mais gráfica, nenhuma morte se torna memorável. Podem ser tecnicamente mais violentas, mais explícitas, mas não carregam peso dramático. Falta contexto, falta construção, falta consequência emocional.
| Divulgação | Paramount Pictures |
A revelação do assassino é o ponto mais fraco — e não é exagero dizer que é facilmente a pior da franquia. Depois de um acúmulo que promete confrontar legado, família e manipulação midiática, o desmascaramento entrega uma motivação caótica e superficial. O tradicional monólogo final, que em outros capítulos reorganizava a narrativa sob uma nova perspectiva, aqui apenas explica demais e convence de menos. Não há catarse. Não há choque inteligente. Apenas um encerramento abrupto e frustrante. A construção que leva até o Ghostface é mais legal do que a resolução em si. A revelação é tosca demais. Você fica. "Ah, era isso?"
O retorno de Matthew Lillard como Stu Macher, através de videochamadas e manipulação digital, exemplifica o problema maior do filme; a nostalgia usada como muleta. A tentativa de inserir tecnologia e IA na mitologia poderia ter sido uma reflexão sobre ressurreição digital e cultura de true crime. Em vez disso, soa como fan service desajeitado. A presença digital de Stu nunca é verdadeiramente perturbadora — apenas distrativa.
Courteney Cox retorna como Gale Weathers com energia inicial promissora, mas rapidamente é relegada a um papel periférico. Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding) funcionam mais como pontes nostálgicas do que como peças narrativas essenciais. E a ausência quase total de referências consistentes aos sobreviventes de Pânico VI reforça a sensação de descontinuidade.
Tecnicamente, o filme é competente, mas raramente inspirado. A fotografia de Ramsey Nickell aposta em uma estética limpa demais para um terror que deveria ser claustrofóbico. A trilha de Marco Beltrami reutiliza temas familiares, e o uso recorrente de “Red Right Hand”, de Nick Cave and the Bad Seeds, já não provoca arrepio — apenas reconhecimento automático.
Existe um grande filme escondido dentro de Pânico 7. Um filme sobre herança traumática, sobre mães que tentam proteger filhos de monstros criados pela própria cultura do espetáculo, sobre a dificuldade de encerrar ciclos violentos. Mas essa versão mais ousada é sabotada por uma dependência excessiva do passado, por escolhas narrativas preguiçosas e por uma revelação final que esvazia o que veio antes.
O resultado é um filme que tenta ser definitivo, mas soa redundante. Mais gráfico, porém menos impactante. Mais sombrio, porém menos inteligente. Para uma franquia que nasceu subvertendo regras e ironizando clichês, terminar abraçando excessos visuais sem sustância dramática é uma escolha curiosamente conservadora. Pânico 7 não é o desastre que alguns temiam, mas também não é a celebração que o aniversário de 30 anos merecia.
Pânico 7 já está disponível nos cinemas.
Avaliação - 5/10
O final horroroso 🗣️
ResponderExcluirQuanto mais eu penso, pior fica kkk
ResponderExcluirAs motivações dos Ghostfaces HAHAHAHAHAHA
ResponderExcluirEu gostei, mas o final realmente é difícil de defender.
ResponderExcluirOs irmãos tavam levando a franquia pra um lugar tão legal, uma revitalização tão boa. Uma pena q por conta da polêmica tiveram q apelar pros originais, e o resultado foi isso aí. Espero q casamento sangrento 2 seja um sucesso pra calar ainda mais a boca de quem criticava eles
ResponderExcluirMuito ruim.
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