Cinema brasileiro marca presença no Festival de Berlim com destaques em Panorama e Generation

"Se Eu Fosse Vivo… Vivia", novo filme do diretor mineiro André Novais Oliveira

• Por Alisson Santos 

O cinema brasileiro volta a ganhar projeção internacional no Festival de Berlim de 2026, que acontece entre os dias 12 e 22 de fevereiro. A organização do evento anunciou nesta terça-feira (14) a lista de filmes selecionados para as mostras Panorama e Generation, duas seções paralelas e competitivas do festival, e o Brasil aparece com produções que transitam entre o drama intimista, a animação e narrativas históricas de forte impacto social.

Na mostra Panorama, voltada a obras autorais e contemporâneas, um dos destaques é Se Eu Fosse Vivo… Vivia, novo filme do diretor mineiro André Novais Oliveira. A produção acompanha a trajetória sensível de um casal de idosos interpretado por Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, que passou a vida inteira planejando permanecer unido até que a morte os separasse. O longa ainda conta com Tainá Evaristo e Jean Paulo Campos no elenco, reforçando o tom afetivo e familiar característico do cinema do diretor.

Também na Panorama está Isabel, coprodução entre Brasil e França dirigida por Gabe Klinger. Marina Person lidera o elenco como uma sommelière paulistana que alimenta o sonho de abrir o próprio bar, enfrentando dilemas profissionais e pessoais ao longo do caminho. O filme reúne ainda Caio Horowitz e o ator norte-americano John Ortiz, ampliando o alcance internacional da produção.

A seção inclui ainda Narciso, ambiciosa coprodução envolvendo Paraguai, Alemanha, Uruguai, Brasil, Portugal, Espanha e França. Dirigido por Marcelo Martinessi, o longa revisita a história de um roqueiro que se torna um fenômeno musical no Paraguai em 1958, durante a ditadura, sucesso que acaba cobrando um preço trágico. Diro Romero interpreta o protagonista, ao lado de Nahuel Pérez Biscayart.

Já na mostra Generation, dedicada a filmes que dialogam com o universo infantil e juvenil, o Brasil aparece com quatro produções. O documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, retrata o cotidiano de pré-adolescentes de uma comunidade do interior do Piauí, abordando os desafios do amadurecimento a partir de um olhar poético e imaginativo.

Outro destaque é Feito Pipa, de Allan Deberton, diretor premiado por Pacarrete. O filme acompanha Gugu, um menino de 11 anos criado pela avó, cuja saúde se fragiliza cada vez mais, enquanto ele tenta preservar seu pequeno mundo. O elenco reúne nomes como Lázaro Ramos, Carlos Francisco e Georgina Castro.

A animação Papaya, dirigida por Priscila Kellen, leva o público à Amazônia para acompanhar a jornada de uma inquieta sementinha que precisa aprender a desacelerar para criar raízes, em uma metáfora delicada sobre crescimento e pertencimento.

Completando a seleção brasileira na Generation, Quatro Meninas, de Karen Suzane, terá em Berlim sua première internacional. O drama de época, que estreou no Festival de Brasília em 2025, narra a fuga de quatro meninas escravizadas de uma fazenda no século XIX, acompanhadas por quatro garotas brancas que também tentam escapar de destinos impostos, como casamentos forçados e a clausura em conventos.

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